Encontro dos Vizinhos do Areeiro com a EMEL sobre a Rede de Bicicletas Partilhadas GIRA

No passado dia 16 de Fevereiro os Vizinhos do Areeiro e Vizinhos das Avenidas Novas foram recebidos na sede da EMEL, sobre o tema da Expansão da Rede de Bicicletas Gira.

Foram abordadas as questões referentes ao actual atraso na expansão da rede, bem como as razões para o número de bicicletas GIRA disponíveis serem inferiores ao previsto, com o mínimo registado no final do verão de apenas cerca de 300 bicicletas disponíveis.

Os objectivos para a Rede Gira irão passar no futuro por uma rede de 300 estações e um número de bicicletas disponíveis a rondar as 3000, mantendo o rácio de maioritariamente eléctricas, de forma a acompanhar a crescente procura que se pode constatar.

Foram pedidas sugestões de melhoramento para esta nova fase e a opinião dos presentes para as novas ideias que estão a ser estudadas pela EMEL. Nesse contexto foram apresentadas as sugestões recolhidas pelos Vizinhos, como a necessidade de extensão da Rede a outros pontos da cidade, a melhor identificação do número individual das bicicletas de forma a poder reportar abusos e acidentes, bem como o estudo da viabilidade de publicidade nas mesmas de forma a cofinanciar o projecto.

Foi referido por parte da EMEL que se encontra em estudo a possibilidade das novas bicicletas possuiram um tipo de cadeado que permita paragens momentâneas e a ideia da criação de docas virtuais, locais designados onde as bicicletas possam ser deixadas na ausência de docas ou no caso das mesmas se encontrarem sem lugar disponível.

Foram discutidas as novas ciclovias que estão a ser planeadas e realizadas, bem como alguns erros e problemas na sua construção.

Os Vizinhos do Areeiro estiveram na “CONFERÊNCIA ANUAL DA PASC – CASA DA CIDADANIA 2019”

Intervenção de Rodolfo Franco pelos “Vizinhos do Areeiro”:

“Os Vizinhos do Areeiro é um Movimento Cívico inorgânico, de causas locais e cidadania activa, não-partidária, representando o Núcleo do Areeiro na Associação Vizinhos em Lisboa, que incluí também núcleos assentes no mesmo modelo nas Avenidas Novas, Alvalade, Arroios e agora o muito activo e mais recente de Alcântara.

O movimento Vizinhos do Areeiro começou por ser uma página no Facebook e isso permitiu responder de imediato às questões que surgiram, sendo que essa presença seria muito difícil de alcançar de outra forma, algo que as autarquias estão hoje também a aprender a gerir.

Hoje em dia crescemos para além da presença nessa plataforma e realizamos vários eventos, como por exemplo, hoje mesmo, irá decorrer uma conversa informal, aberta a todos, com uma representante da Embaixada da Finlândia sobre o modelo de ensino desse país.

Realizamos também passeios pela freguesia, registo de problemas de segurança, levantamento de devolutos e outras situações.

Os Vizinhos do Areeiro funcionam num modelo de subscrição pública, onde um texto com uma proposta é publicada no Grupo e sujeito a votação durante um período fixo, tipicamente uma semana, e que resulta quase sempre de sugestões ou reclamações dos moradores.

Quem concorda com o tema coloca o seu “Gosto”, que conta como um voto, sendo que se discordar pode também colocar o seu voto contra.

A proposta ou reclamação não é enviada em nome dos Vizinhos do Areeiro mas sim dos seus subscritores que fazem parte daquele colectivo e que mostraram a sua adesão, pelo que para diferentes propostas existe sempre diferentes pessoas, sendo por isso um modelo muito flexível.

O nosso objectivo é de fazer as coisas numa base muito local, de freguesia e de cidade, com os autarcas e eleitos que felizmente lêem e dão atenção ao que expomos – mesmo que por vezes não concordem.

Para isso é importante o marcar presença em todas as oportunidades que são dadas para o cidadão intervir, que não são muitas: as assembleias de freguesia, as assembleias municipais, em especial as descentralizadas, onde podemos e levamos os temas que os nossos Vizinhos nos fazem chegar.

É muito importante essa presença e sentir que existe uma colaboração entre os eleitos e nós os cidadãos, especialmente quando também nos dão a oportunidade de reunir e expôr os nossos temas em pessoa.

Fazemos também as comunicações às entidades competentes quando há por exemplo uma degradação do espaço público, como no Jardim Fernando Pessa ou no parque infantil da Alameda. (Realizámos também o levantamento de varandas e beirais em mau estado após parte ter caído sobre um dos nossos Vizinhos.)

Para além das propostas, fazemos chegar aos eleitos pedidos de informação e vamos insistindo especialmente quando os prazos legais de resposta não são cumpridos.

Também estamos atentos à gestão dos orçamentos e à falta de transparência de algumas rúbricas que muitas vezes não são discutidas antes de ser aprovadas, ou que simplesmente estão inscritas como “outros”.”

” Fomos conhecer os “Vizinhos do Areeiro”” [Expresso do Oriente]

“Eles questionam, sugerem, reclamam e insistem. E a pouco e pouco, vão conquistando pequenas grandes vitórias, porque não há maior problema para a nossa vida do que aquele que está à frente da nossa porta.
Esta é a lógica que vai garantindo sucesso às iniciativas do Movimento Cívico Vizinhos do Areeiro: talvez paradoxalmente, pode ser mais fácil mobilizar as pessoas para resolver um problema muito localizado do que congregá-las em torno de uma causa maior, mas mais distante. O que pode ser pior do que o buraco na calçada onde pomos o pé todos os dias quando saímos de casa ou o grafitti com que sujaram o edifício onde vivemos?

O EXPRESSO do Oriente percorreu a Freguesia do Areeiro a pé com Rui Martins, membro fundador do Movimento Cívico Vizinhos do Areeiro, que começou por ser uma página de Facebook em Julho de 2016 e hoje é uma associação de pleno direito, até porque isso lhe dá a liberdade de acção de que precisa para se fazer ouvir.

As regras são muito simples e estão claras para todos. Dizem respeito à urbanidade e respeito, à proibição da propaganda política ou partidária, bem como da publicidade comercial, e ainda à circunscrição ao território da Freguesia. Os cinco coordenadores velam pelo respeito destas regras e asseguram-se de que não há perfis falsos no grupo, nem de empresas, nem de pessoas que não residem ou trabalham no Areeiro.

Rui Martins, 51 anos, que trabalha na área de Suporte IT, guia-nos pela freguesia que conhece muito bem e a cada passo que damos recorda-se de uma subscrição relacionada com aquele passeio, aquele parque infantil ou espaço verde. Já explicamos o que é isso de subscrição.

Alguns pensam que Rui é eleito local, mas não é nem tem ambições de ser: “penso que até perderia eficácia se fosse”, explica. “Estou nisto por sentir um grande impulso de participação. A vida só tem significado quando conseguimos alterar o que está mal à nossa volta. Fazer as coisas numa base muito local, de freguesia e de cidade, é possível. Há mais pessoas comigo, que pensam como eu, e isso tem permitido um crescimento assinalável e muitas melhorias”.

Basta constatar que, depois do grupo do Areeiro, nasceram mais cinco, com ritmos diferentes uns dos outros: Penha de França, Alvalade, Avenidas Novas, Arroios, e acaba de surgir um novo em Alcântara.

“Hoje em dia somos uma força viva na freguesia, os autarcas e eleitos lêem e dão atenção ao que nós publicamos, nem sempre gostam nem estão de acordo, mas ouvem-nos”.

Como a coisa funciona

São três os vectores de intervenção: propositivo, reclamativo e o da transparência.

Sem nos alongarmos muito, podemos resumir que as propostas se fazem através da subscrição pública. O texto de uma proposta é publicado no grupo de Facebook dos Vizinhos do Areeiro, afixado durante alguns dias no topo, e resulta quase sempre de sugestões ou reclamações dos moradores. Os membros do grupo podem clicar “gosto”, e isso equivale a subscrever a proposta, ou “ira”, manifestando-se contra. Se a publicação reunir um número maior de “iras” do que “gostos”, significa que uma maioria de pessoas discorda daquele texto e o assunto cai automaticamente. Caso contrário, atingindo o número mínimo (40, 60 ou 100 pessoas) ao fim do tempo determinado, o texto é aprovado e remetido a quem de direito.

Rua Domingos dos Reis Quita, completamente devoluta
No momento da nossa visita, estava em destaque um texto que propunha a reposição do piso em dois espaços verdes junto ao “Liceu” Filipa de Lencastre, removido na sequência de obras que aconteceram em 2009, e desde então em terra batida. Na semana anterior era uma proposta à empresa de aluguer de trotinetas eléctricas Lime para a remuneração dos utilizadores que estacionassem bem os veículos depois de os utilizarem. Também se perguntava quantos acidentes havia registados até lá em Lisboa. Mais tarde, passaríamos pelo Bairro da GNR, a que uma subscrição dos Vizinhos chamou “a maior concentração de devolutos do Estado”: só na Rua Domingos Reis Quita, são seis prédios totalmente devolutos, onde não habita uma pessoa!

Resta explicar que, depois da proposta enviada, mantém-se a atenção sobre o tema, através de pedidos de informação. Quando os prazos legais de resposta não são cumpridos, os Vizinhos insistem novamente em sede de Assembleia de Freguesia ou Assembleia Municipal e fazem-no até obterem resposta.

No que diz respeito ao vector reclamativo, é mais fácil de explicar: os membros sinalizam os problemas como danos na calçada, buracos no piso ou candeeiros apagados, por exemplo, e comunicam à entidade de acordo com a competência. Exemplos são a degradação do Jardim Fernando Pessa, ou a construção de uma lomba “mal feita” na Rua Abade Faria. “Há um ano fizemos um levantamento dos prédios com varandas ou beirais em queda, e encontrámos mais de 200. Isto na sequência da queda de um pedaço grande no n.º 15 da Avenida João XXI”, aponta Rui Martins, enquanto nos leva até à parte superior da fonte da Alameda D. Afonso Henriques.

Fonte Luminosa da Alameda

Fonte Luminosa da Alameda
É ali que nos mostra a “vergonha” em que se transformou aquele espaço, completamente degradado. Mármores partidos, um mar de grafittis selvagens (os chamados “tags”), baias de ferro de pernas para o ar, lixo e ervas daninhas. A isto soma-se o ruído nocturno que tem originado queixas, junto a um espaço verde que custa anualmente à Junta de Freguesia do Areeiro 120 mil euros em rega e manutenção.

Por falar em “tags”: em Fevereiro do ano passado, um levantamento feito ao longo de duas semanas deu conta de 1200 rabiscos destes em 292 edifícios, só no Areeiro!

Também é ali na fonte que o coordenador do Movimento nos explica o vector da transparência: os Vizinhos do Areeiro analisam detalhadamente, linha por linha, o orçamento da Junta de Freguesia. Em Dezembro, remeteram até uma lista com 49 perguntas sobre o orçamento de 2018 que desejam ver esclarecidas.

Orçamentos grandes com rubricas misteriosas

“As juntas de freguesia em Lisboa tem orçamentos enormes, como se fossem autênticas mini-câmaras. A do Areeiro, por exemplo, tem 3,8 milhões de euros. A nós espanta-nos muita coisa: como é que os orçamentos são aprovados em Assembleia de freguesia depois da meia-noite? Os eleitos reúnem-se para aprovar páginas de documentos na ordem das dezenas, com todas as despesas previstas para o ano corrente; quem é que tem paciência para debater e discutir linha a linha a essas horas? Como é que não há um relatório de execução que diga: destes 100 mil euros, gastámos 20 mil? Não há transparência!”, questiona Rui Martins.

“Que sentido faz que se leia nos orçamentos uma série de rubricas intituladas “outros”, “outros”, “outros”, com números redondos, “10 mil”, “20 mil”, “40 mil”, “100 mil”? Não sabem quanto vão gastar? O orçamento está cheio disto, números redondos e rubricas e sub-rubricas chamadas “outros”. As práticas antigas têm de ser substituídas! Não é por má vontade de ninguém, nem do Executivo nem dos eleitos, é porque sempre foi assim. Mas as práticas têm de se adaptar aos tempos, porque o dinheiro é público e é de todos”.

Rua Manuel Gouveia
Muitas conquistas

Caminhando para três anos de actividade, o Movimento Cívico conta já muitas vitórias. Além de inúmeras pequenas reparações, há empreitadas maiores em processo de realização, como a reparação do parque infantil da Alameda, ou a requalificação da fonte luminosa, que poderá avançar ainda este ano.

Entre outros assuntos destacados pelo nosso “guia local”, está o das varandas: a Câmara de Lisboa enviou cartas a exigir aos proprietários obras nas varandas e beirais sinalizados com elementos em queda, e muitas delas estão a ser reparadas. Há também o caso do Bairro Portugal Novo, em que existem problemas graves de degradação do edificado, insegurança, ocupação ilegal, tráfico de droga, casos de violência… Aqui a conquista foi colocar o assunto na agenda política, porque, nas palavras de Rui Martins, “não se faz nada ali desde os anos 80”.

Outro foco de insegurança na freguesia ligado a casos de emergência social diz respeito à zona entre o Casal Vistoso e a Avenida Gago Coutinho, onde também fomos ver o local que há pouco tempo tinha barracas.

Nos assuntos mais positivos, não resistimos a referir o concurso que atribuiu prémios aos vestíbulos (entradas de edifícios) mais bonitos do Areeiro. O primeiro prémio foi para o n.º 11 da Av. Guerra Junqueiro, que é de facto muito bonito. Se lá for espreitar, seja grato aos Vizinhos do Areeiro por não lhe cair em cima nenhum pedaço de varanda!”

https://expressodooriente.com/fomos-conhecer-os-vizinhos-do-areeiro/

“No Areeiro, abrem e fecham lojas em poucos meses, mas nas avenidas principais o comércio consolida-se” [O Corvo]

“Alguns comerciantes da freguesia dizem que nunca assistiram a uma volatilidade “tão grande” das lojas. Em poucos meses, abrem e fecham espaços comerciais, por não conseguirem suportar as rendas – que, no último ano, subiram nas zonas históricas e no centro de Lisboa. Os valores pedidos naquele bairro terão aumentado “consideravelmente”, queixam-se vários lojistas. Diversos edifícios foram recentemente vendidos e muitos comerciantes já saíram ou terão de o fazer em breve. Apesar disso, a associação Vizinhos do Areeiro contabilizou menos seis dezenas de lojas vazias em relação a 2018. Uma dinâmica insuficiente, porém, para afastar receios sobre o futuro do comércio na zona, porque os espaços vazios “não geram riqueza económica”. Mas a associação de comerciantes do Areeiro, representativa das avenidas principais, assegura que o panorama até estará a melhorar. A freguesia está a receber mais estrangeiros, que ajudam ao aumento do volume de negócios de alguns estabelecimentos.”

“Maria Custódia Silva, 74 anos, proprietária de uma loja de roupa para crianças, já perdeu a conta de quantas lojas abriram e fecharam, no último ano, na Avenida João XXI, na freguesia do Areeiro. O bairro está em transformação e, segundo quem lá trabalha, assiste-se a uma enorme volatilidade dos espaços comerciais. “No período de três anos, esta já é a quarta loja a instalar-se aqui”, diz Maria, apontando para uma agência de viagens, ao lado do seu estabelecimento. Antes, funcionaram ali uma loja de decoração de interiores e outras duas de vestuário. A lojista não consegue precisar o período de funcionamento de cada espaço comercial, mas garante que foi “muito curto”. E arrisca uma explicação. “Ninguém aguenta as rendas altíssimas desta avenida, que subiram muito, nos últimos três anos. Eu só me mantenho porque tenho outras fontes de rendimento, se não também já teria fechado”, diz.”

“Segundo um estudo recente da consultora JLL, as rendas das lojas de rua, em Lisboa, subiram entre 3,8% e 20%, em 2018. Nas zonas históricas e no centro da cidade, a falta de oferta de imóveis pode pressionar ainda mais os preços e a tendência é as rendas subirem. Paula Santiago, consultora imobiliária da Remax Time, instalada na João XXI, ouvida por O Corvo, corrobora estes números e diz que os valores aumentaram “consideravelmente”. Além destes indicadores referentes ao arrendamento comercial, os dados mais recentes do INE (Instituto Nacional de Estatística) sobre o preço dos imóveis de habitação, no terceiro trimestre de 2018, divulgados há duas semanas, confirmam a manutenção da expressiva dinâmica de valorização imobiliária registada na capital, nos últimos anos. O Areeiro não foi excepção, com a média do metro quadrado vendido a fixar-se nos 2.729 euros, quando no terceiro trimestre de 2017 se havia transaccionado 2.333 euros por metros quadrado. Ainda assim, a freguesia foi uma das cinco em que os preços medianos e as taxas de variação face ao período homólogo foram inferiores aos da cidade de Lisboa (2.877 €/m2). Estes valores, se bem que relativos à habitação, deixam algumas pistas sobre os custos associados a uma loja naquela zona.”

“Recentemente, um concessionário de automóveis e uma papelaria, instalados na João XXI há dezenas de anos, também fecharam por não conseguirem pagar o valor da renda. “A renda do stand subiu de 800 para 1600 euros. A papelaria foi uma situação mais dramática. A dona da loja fez obras de remodelação e, uma semana depois, recebeu uma carta de não renovação do contrato, não foram correctos”, conta. Uma loja de roupa em segunda mão, relata ainda, chegou a estar instalada, no espaço de pouco tempo, em três sítios diferentes – Praça de Londres, João XXI e noutro arruamento no centro do bairro -, mas também já fechou pelos mesmos motivos. “Quem não tem outro suporte financeiro, não aguenta aqui. Muitos comerciantes vêm na ilusão de que esta avenida é uma boa aposta, e depois desiludem-se. Sabemos que vai abrir um espaço novo e que a renda é de 1400 euros. Para suportar este valor, tem de se vender muito por dia. Esperemos que tenham sorte, mas acho que vão fechar”, antecipa Maria Custódia Silva.”

“Nos arruamentos adjacentes às avenidas principais, também se teme pelo futuro. Na Rua Cervantes, que liga as avenidas João XXI e de Madrid, Fernando Gameiro, 57 anos, vende vários tipos de peixe e marisco, no rés-do-chão de um prédio, há quase duas décadas. Mas poderá ter de sair em breve. “O edifício foi todo vendido, em 2014, e fizeram-me um contrato novo de cinco anos, que vai terminar no próximo mês de Maio. Se me propuserem uma renda muito elevada, tenho de fechar. Trabalho com mais desmotivação”, lamenta. Atento à dinâmica do bairro, Fernando Gameiro diz que as transformações são “enormes”. “O comércio do Areeiro está de rastos, desde 2012 tem assistido a uma queda vertiginosa. Quem abre aqui não se aguenta três meses”, lamenta. No período de quatro anos, abriu e fechou uma loja de produtos dietéticos e negócios mais antigos encerraram para darem origem a churrasqueiras, “que ainda vão tendo muita clientela” e restaurantes de tapas e petiscos, explica Fernando.”

“Na Avenida de Paris, o encerramento de vários espaços comerciais, no último ano, como a pastelaria S. João e outros cafés, poderá explicar a pouca movimentação ali sentida. “Um café ou um restaurante atraem sempre mais pessoas, e ajudam aos outros negócios. Chegámos a estar cheios, durante o dia, e, agora, há dias que nem entra ninguém aqui”, diz Vera Ricardo, 38 anos, funcionária de uma loja de produtos de medicina alternativa. O espaço mantém-se, explica, porque ainda recebe muitos clientes de outros bairros, e até de fora de Lisboa. “Há um médico que vem aqui dar consultas, e ainda há muitas pessoas a procurarem-no”, acrescenta.”

“No número quatro desta avenida, André Santos, 37 anos, é o único a dar continuidade a um negócio familiar, provavelmente o mais antigo daquela artéria.  “Sempre existiu uma grande flutuação dos negócios nesta zona, mas nos últimos anos sentiu-se mais. Apesar de a mim não me afectar, porque não vivo do comércio de rua, prejudica muitos dos meus colegas. Muitas pessoas deixam de ir a uma rua quando sabem que fechou lá a loja onde costumavam ir. É péssimo estarem sempre a abrir e a fechar”, diz o dono da La Ferrovie de Paris, uma loja especializada em modelismo ferroviário, a funcionar ali há mais de trinta anos. Já Vildana, costureira, chegou apenas há dois anos, e está feliz com a escolha daquela parte da cidade para trabalhar. “Vou tendo clientes, tenho é mais dificuldade em encontrar quem queira trabalhar comigo”, diz, apressada, enquanto prega botões a uma camisa. “Ninguém quer costurar, hoje em dia, e é pena”, afirma.”

“O bairro residencial, constituído maioritariamente por uma classe média-alta, tem assistido a uma transformação da malha social, nos últimos anos. Apesar da mudança não ser tão gritante como noutras zonas da capital, há mais estrangeiros a escolherem aquela parte da cidade para viverem. Mafalda Maria, 46 anos, confirma esta realidade, todas as semanas, na sua loja de vinhos, na Avenida de Madrid. “Tenho uma cliente americana, de Washington, que compra dezenas de garrafas. Agora está fora, mas tem casa aqui no Areeiro. Tenho imensos clientes italianos, brasileiros e chineses, e são moradores no bairro. Não me posso queixar, o volume de negócios até tem melhorado”, conta. Mafalda Maria reconhece, porém, que não é fácil manter uma loja ali. “O vinho bebe-se sempre, em período de crise ou em festa. Há aqui muitas lojas, cabeleireiros e restaurantes principalmente, que não resistem muito tempo. Além do tipo de negócio, que tem muita concorrência, queixam-se do valor das rendas”, explica.

Na Avenida de Madrid, vários comerciantes corroboram este cenário. Rosário Marques, 48 anos, trabalha há uma dúzia de anos nesta artéria e deita as mãos à cabeça quando se fala no aumento do valor das rendas. “Por este espaço aqui ao lado, minúsculo, estão a pedir 500 euros. A partir daí, é sempre a galopar. Isto é normal?”, questiona, acelerada. A dona da lavandaria e engomadoria, que também presta outros serviços de limpeza, queixa-se ainda da falta de segurança na zona. “Somos uma rua secundária, muitos só vêm aqui de passagem. Há uns dias, assaltaram-me e levaram dinheiro da caixa. A polícia nunca anda aqui e, se houvesse mais movimentação e comércio, talvez não nos tentassem assaltar”, critica.”

“A poucos metros, uma padaria quase centenária, testemunha uma Lisboa mais antiga, quase em extinção. “Já há poucas deste género”, diz Laurinda Fialho, 59 anos, empoleirada na bancada de mármore. “Os salários são baixos, não é fácil subsistirmos, mas ainda temos muitos clientes antigos com os quais mantemos uma boa ligação. Esse é o segredo”, explica. A comerciante ainda paga uma renda acessível, mas já assistiu ao encerramento de várias lojas à sua volta. “Há dois anos, as rendas subiram a pique, os valores são exorbitantes. Perdemos, também, muitos moradores, que voltaram para a terra-natal”, conta. O prolongamento das obras das estações de metro do Areeiro e de Arroios e o encerramento de algumas empresas também poderão ajudar a explicar o esmorecimento do comércio da zona. “Na Morais Soares, esbarrávamos uns nos outros. De um momento para o outro, a rua ficou moribunda”, diz, sobre a actual situação nas obras de Arroios. “O fecho das saídas do metro do Areeiro é vergonhoso, nunca mais abrem”, critica.”

“A associação de moradores Vizinhos do Areeiro tornou público, no passado dia 10 de Fevereiro, um levantamento das lojas vazias da freguesia. Segundo o grupo cívico, “a percentagem de lojas vazias é relativamente pequena”. “Onde estas existem em maior número é nos bairros mais residenciais, como os bairros dos Aviadores, Actores e Olaias. Isto tem a ver com a fraca capacidade de atracção de clientes de fora dos bairros, existente nessas zonas, e com os preços irrealistas do arrendamento cobrado”, lê-se. A análise só peca, explicam, por algo que não está ao alcance do grupo de cidadãos: “a dimensão dos espaços vazios”. “Este dado poderia revelar quais os espaços com maior procura”, escrevem. Um levantamento desta dimensão, assim como o registo do tipo de actividade comercial e os preços médios do arrendamento por freguesia, sugerem, deveria ser feito pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e pela Junta de Freguesia.”

A associação de moradores diz ainda que haverá “uma extrema volatilidade nos negócios comerciais no Areeiro” e lamenta não conseguir detectar “as numerosas lojas que abrem e fecham num espaço de dois ou três meses. “O que revelaria uma volatilidade que, estimamos, ainda seria maior”, avaliam. Em 2018, segundo a análise da associação Vizinhos do Areeiro, haveria 236 lojas vazias no bairro e, em 2019, existirão 170, o que “reflecte aquilo que se observa nas ruas, mas especialmente nas mais comerciais (avenidas João XXI, Roma, Guerra Junqueiro e Praça de Londres)”.

Segundo Rui Martins, da associação dos Vizinhos do Areeiro, este fenómeno “é muito preocupante”. “Encerraram três repartições dos correios, vários balcões de bancos e continua a existir uma grande rotatividade de espaços comerciais, principalmente nas ruas secundárias. As lojas vazias não geram riqueza económica, e perdem-se muitos postos de trabalho”, lamenta. Outro fenómeno que estará a preocupar o colectivo de moradores é o aumento de espaços comerciais do mesmo ramo de negócio. “Florescem imobiliárias como ‘cogumelos’, nunca se viram tantas lojas de cigarros eléctrónicos e há imensas lavandarias self-service”, observa ainda.”

“Em 2016, o movimento cívico propôs à Junta de Freguesia do Areeiro que, à semelhança do que já se passa em Campolide, as compras no bairro fossem feitas através de uma moeda local. Esta poderia ser adquirida na junta, nos bancos, ou obtida de forma gratuita, sob a forma de um prémio por reciclarem o lixo, por exemplo. Algo que, acreditam, poderia ajudar à instalação de mais comércio no Areeiro. Desde 2013, todos os anos, os comerciantes das principais avenidas da freguesia aderem ao Areeiro Open Night, iniciativa da Junta de Freguesia do Areeiro para dinamizar o comércio local. De acordo com os comerciantes ouvidos por O Corvo, este evento é, todavia, insuficiente para as necessidades do bairro. “É apenas pontual, e muitas lojas ficam de fora. Precisamos de uma revolução no comércio e na forma como os senhorios e os arrendatários se relacionam”, sugere a lojista Maria Custódia Silva.”

“O dirigente da associação de comerciantes do Areeiro, Carlos Carvalho, tem, porém, uma perspectiva mais optimista. “Na zona que represento – Praça de Londres e avenidas Guerra Junqueiro, João XXI e Roma – há seis anos, tínhamos vinte lojas vazias. Hoje, temos seis. A procura subiu brutalmente e as lojas fecham porque abrem-se negócios desfasados da realidade. Não concordo que a subida das rendas seja a explicação para a rotatividade”, considera. O interesse dos lojistas por uma zona que esteve, durante algum tempo, “decrépita”, explica ainda, aumentou muito nos últimos anos e há vários “casos de sucesso”. “O panorama comercial está a melhorar. Na Avenida de Roma, há quatro lojas com história, com um grande dinamismo. Muitas vezes, as pessoas abrem lojas e não percebem que manter um negócio exige comunicação com o cliente, e que nenhuma loja nasce consolidada”, explica.

Carlos Carvalho, que é proprietário de uma mercearia no Areeiro, salienta que o aumento das rendas é “um problema de toda a cidade” e que muitos lojistas, que não conseguem pagar o valor das rendas, reposicionam-se noutras ruas da freguesia. Segundo o comerciante, a rotatividade das lojas “sempre foi um problema” da daquela área da cidade, principalmente na João XXI, porque as pessoas alteraram os seus trajectos e rotinas, nos últimos anos, e deixaram de passar nesta artéria.”

https://ocorvo.pt/no-areeiro-abrem-e-fecham-lojas-em-poucos-meses-mas-nas-avenidas-principais-o-comercio-consolida-se/

Conclusões possíveis do Levantamento de Lojas Vazias de 2019 (actualizado)

(a vermelho as lojas vazias de 2018, a azul as de 2019)

1. Os levantamentos de 2018 e de 2019 incorporam uma certa margem de erro (trata-se de um levantamento voluntário) mas estes números, que globalmente estarão correctos, parecem indicar uma grande flutuação da actividade comercial na freguesia, uma extrema volatilidade nos negócios comerciais no Areeiro e isto apesar de, pela metodologia seguida, não conseguirem detectar as numerosas que abrem em fecham num espaço de 2 ou 3 meses (o que revelaria uma volatilidade que, estimamos, ainda seria maior)

2. Os números de 2018 (236) e agora os de 2019 (170) reflectem aquilo que se observa nas ruas mas especialmente nas mais comerciais (João XXI, Roma e Guerra Junqueiro/Praça de Londres): a percentagem de lojas vazias é relativamente pequena. Onde estas existem em maior número é nos bairros mais residenciais, como o Bairro dos Aviadores, Actores e Olaias. Isto tem a ver com a fraca capacidade de atracção de clientes de fora dos Bairros existente nessas zonas e com os preços irrealistas do arrendamento cobrado nessas zonas.

3. Em 2016 propusemos à Junta de Freguesia que, como faz a de Campolide, lançasse uma Moeda Local: https://vizinhosdoareeiro.wordpress.com/2016/09/19/proposta-uma-moeda-local-para-o-areeiro/ um projecto deste tipo poderia ter um impacto significativo no regresso de muitas destas lojas à actividade comercial, gerando emprego e diversidade económica no Areeiro.

4. O facto de existirem menos lojas vazias é um efeito da melhoria da condição económica da maioria dos lisboetas e do reforço dos padrões de consumos desde 2017.

5. no site https://www.idealista.pt/arrendar-lojas_ou_armazens/lisboa/areeiro/ apenas constam 71 lojas ou armazéns por arrendar (no Areeiro a maioria dos “armazéns” são lojas ou garagens convertidas). Isto significa que a maioria das lojas vazias não estão no mercado fazendo aumentar o preço das que estão por redução da oferta e explicando a inflação de preços que se regista actualmente (motivada, também, pelo fenómeno lateral do Turismo e do aumento explosivo e contagioso a todos os sectores dos preços da habitação).

6. Algumas destas lojas são conversões de antigas garagens mas continuam reservando estacionamento (que usam de forma possivelmente abusiva) conforme levantamento: http://vizinhosdoareeiro.org/falsas-garagens-e-estacionamento-no-areeiro/

7. Uma percentagem significativa de lojas continua a ser usada como sede de empresa e não como um estabelecimento comercial clássico

8. O levantamento dos Vizinhos do Areeiro peca por algo que não está ao nosso alcance: a dimensão dos espaços vazios. Este dado poderia revelar quais os espaços com maior procura. Aliás, um levantamento desta escala deveria ser feito pela CML ou pela Junta de Freguesia, ser regular (trimestral), registar o tipo de actividade comercial e os preços médios do arrendamento por freguesia: Fica a sugestão aos nossos autarcas.

9. A procura tende para lojas de reduzida dimensão/renda: situação mais favorável em Campo de Ourique. No Areeiro existem demasiados espaços de dimensão/renda média e grande/elevada para arriscar um qualquer negócio.

10. Vamos actualizar esta contagem, provavelmente, com mais métricas, em 2020.

Levantamento de Abril de 2018:
http://vizinhosdoareeiro.org/lojas-sem-uso-abandonadas-devolutas-ou-a-venda-ou-por-arrendar-no-areeiro/

Propostas para um Regulamento do Orçamento Participativo do Areeiro

Junta de Freguesia do Areeiro inscreveu no Orçamento para este ano a intenção de realizar um “Orçamento Participativo” (OP) (semelhante ao que já existe em todas as freguesias que rodeiam o Areeiro).
Esperando que esta intenção seja realizada os subscritores apelam a que o regulamento que venha a reger este OP constem estes artigos:

Dimensão Financeira:
1. Alocar ao OP um valor significativo: 3 euro por morador (garantindo a evolução da verba nos anos subsequentes).
2. Cofinanciamento alternativo via rede de parceiros locais (a criar): com empresas, lojas e associações de base local nomeadamente através de serviços ou bens cedidos para a execução do mesmo em troca do reconhecimento de marca e de ações de solidariedade empresarial.
3. Requerer à CML a duplicação de cada euro colocado pela Junta ou mobilizado pelos moradores como indicado no ponto anterior.
4. Mobilizar recursos adicionais via plataforma de crowdfunding.
5. Criar uma rede de voluntários da comunidade que podem participar no desenho, desenvolvimento do projeto e execução física das propostas.

Dimensão Participativa:
1. Acolher propostas por formulário na web e também em assembleias participativas.
2. fazer assembleias participativas nas escolas da freguesia e no IST.
3. Criar um “Grupo Motor” (usados, p.ex., no OP de Sevilha) a partir do envio e recepção de cartas distribuídas nas caixas de correio no mesmo momento de distribuição da revista da Junta. Posteriormente entre os que se ofereceram para integrar o GM fazer como em St. Petersburg e fazer uma selecção aleatória entre aqueles que se ofereceram para integrar o GM aleatoriamente entregues em caixas de correio (uma em dez p.ex.) juntamente com a revista da junta (para não aumentar custos): entre todos os que responderem são sorteados 15 membros para o Grupo Motor.
a) ninguém pode ser membro durante mais do que um ano (para garantir que o OPEV chega a um número máximo de fregueses).
c) cada inscrito no GM recebe um vale de descontos para usar numa rede de lojas aderentes (que integram o modelo de financiamento): oferecido pelo comerciante (ligação a associação local) ou pela JF ou um vale de transporte, ou um lanche/refeição no grupo do GM.
d) os moradores da freguesia da escola podem votar por SMS (recebem código de validação por correio). Para fortalecer o voto presencial em urna, nos locais designados (IST, escolas e Junta), este valerá dois pontos, sendo que e o sms vale um ponto. Uma valorização importante para conservar uma perspectiva presencial.

Dimensão institucional e normativa:
1. na votação pode incorporar, para voto de maior qualidade, uma grelha com impacto social (baixo, médio ou alto), escala de impacto ambiental (baixo, médio ou alto)e escala de estimada de investimento (baixo, médio ou alto), com impacto em grupos vulneráveis ou excluídos (sim ou não).
2. votar através de voto preferencial (3 a 1 pontos para 3 propostas de OPJ) (modelo de escolas na Escócia).

Dimensão Espacial e territorial:
1. fazer assembleias participativas em vários locais da freguesia para acolher os mais info-excluídos: centros de dia, escolas, universidade sénior, associações e colectividades activas na freguesia, etc.

O que é um “Grupo Motor”?
Os grupos motores são grupos de trabalho voluntários constituídos por fregueses do Areeiro, com mandatos de um ano.
– Dinamizam e promovem a participação dos cidadãos no OPJ
– Participam em atividades de formação e informação, em função dos requisitos de cada momento do ciclo do OP.
– Canalizam sugestões e necessidades para os demais órgãos do OP
– Preparam as reuniões e assembleias: e promovem a sua divulgação. O seu trabalho é complementado pelo do Comité de Acompanhamento, bem como pelos Núcleos de Apoio Técnico da CML (para impedir projectos paralelos no OP de Lisboa) e da Junta de Freguesia.
– A hora e a data das assembleias serão fixadas com o parecer dos membros do grupo motor.
– Participam no Comité de Acompanhamento
– Avaliam o seu próprio trabalho e o processo em geral
– Revêem anualmente as normas de funcionamento juntamente com o Comité de Acompanhamento.

Propostas elaboradas em conjunto com os professores:
Manuel Arriaga http://pages.stern.nyu.edu/~marriaga (New York University)
e
Yves Cabannes (University College London)
https://www.ucl.ac.uk/bartle…/development/prof-yves-cabannes

Subscrevem:

Rui Pedro Martins
Jorge Oliveira
Rodolfo Franco
Cláudia Casquilho
Nuno Dinis Cortiços
Madalena Matambo Natividade
Anabela Nunes
Elvina Maria Reis Rosa
Alexandra Rg
Carmosinda Veloso
Fátima Mayor
Maria Mar
Ilda Cruz
Luis Caria
Stela Correia
Cristina Milagre
Maria Saraiva
Rita Ribeiro
Ricardo Rosado
Margarida Agostinho
Sandra Simas
Neuza Carmo
Maria Lurdes Oliveira
Maria João Morgado
Francisco Lopes da Fonseca
Antonio Sequeira
Catarina Rebelo
Emanuel Genovevo Costa

Situação de abrigos para gatos no Areeiro (Projectos da CML (OP) e da Junta de Freguesia)

Após vários contactos com a CML e a Junta de Freguesia do Areeiro sobre a situação (algo confusa) da construção para abrigos para gatos em colónias selvagens no Areeiro foi possível apurar junto destas entidades que:
 
1. Existem dois projectos em execução para a construção de Abrigos para Gatos no Areeiro: um da CML (2 unidades: não sendo claro o local) e entre 4 a 6 (?) unidades construídas ou em construção pela Junta de Freguesia.
2. Existem cerca de 10 colónias de gatos selvagens na freguesia todas com algum tipo de apoio por voluntários.
3. O projecto do Orçamento Participativo de Lisboa: https://op.lisboaparticipa.pt/edicoes-anteriores/570fa437f41ec1c4356c007d/projetos/570fa473f41ec1c4356c62a4 (CML) está em execução e foi vencedor do OP em 2015 estando “em curso” desde 2016. No total são 26 abrigos para a cidade de Lisboa.
4. O projecto da Junta teve previsão orçamental em 2017, começou a ser executado em 2018 e terminará em 2019.
5. A comunicação entre os dois projectos parece estar a correr em níveis sub-óptimos.
6. Ambas as entidades usam 3 projectos de abrigo diferentes (dois diferentes na Junta um na CML: já em uso na Casa dos Animais)
7. O projecto do OP a partir de Abril de 2018, recebeu autorização para o procedimento concursal e em 3 de Setembro de 2018 foi publicitado em DRE o anúncio do procedimento pré-contratual por recurso a concurso público. A fase de execução inscrita no contrato é de 30 meses (2021? Sem contar com eventuais reclamações ou atrasos). A CML confirma que o projecto se encontra hoje em fase de adjudicação.
8. A Junta vai gastar neste projecto um montante dentro dos 20 mil euros da rubrica do orçamento dedicada a equipamentos e mobiliário urbano pelo que este montante não será unicamente gasto em abrigos para gatos errantes.
9. Segundo afirma a Junta nenhuma força política representada na Assembleia de Freguesia questionou “o tema em concreto dos bens do domínio público ou nominalmente dos abrigos para gatos, apesar das reuniões preparatórias em sede de orçamento e finanças” (ou seja: a existência de dois projectos paralelos).
10. O primeiro abrigo da JFA foi “inaugurado em Junho de 2018, ou seja, ainda antes do lançamento do procedimento concursal por parte da CML, não tendo a Junta de Freguesia de Areeiro sido informada dos termos do projecto do OP, nem dos locais e prazos da sua implementação” (que continua por identificar). A Junta afirma que “a demora na implementação e execução do projecto pode perfeitamente ocasionar uma situação em que a construção dos abrigos para gatos nem seja realizada no actual mandato, até ao final de 2021, não podendo tal realidade ser olvidada pela Junta de Freguesia de Areeiro, motivando a decisão de avançar com o seu projecto local de abrigos para gatos.” A CML estima instalar todos os seus abrigos (2 no Areeiro) até finais deste ano de 2019. Depois da instalação estes abrigos entram em fase de manutenção.
11. “A projeção e execução dos abrigos para gatos da Junta de Freguesia de Areeiro tiveram início antes da aprovação do projecto da CML” (JFA)
12. Os 4 abrigos da Junta custaram 1763 euros e os da CML 2890 euros cada (sem custos da concepção do projecto: que são 3 e onde, pelo menos aqui, poderia ter havido uma poupança caso fosse um projecto único).

Reunião dos Vizinhos do Areeiro com Crescer (sobre situação dos Sem Abrigo no Areeiro)

Em finais de Janeiro de 2019 os Vizinhos do Areeiro estiveram em reunião com a Crescer.org uma associação de apoio a Sem Abrigo e especializada no apoio a cidadãos nessa condição e em situação de dependências de álcool ou drogas. Foi fornecida uma visão da situação nesta freguesia e da evolução recente assim como dos casos mais graves e antigos da nossa freguesia.
Ficou definida a existência de uma situação que, no Areeiro, não se reduziu tendo conhecido, pelo contrário, um agravamento nos últimos meses e reconhecida o carácter flutuante desta população (o que dificulta qualquer “contagem”).

Em suma, sinalizámos algumas situações de cidadãos Sem Abrigo e peço que nos enviem por MP ou para geral@vizinhosdoareeiro.org novas situações ou alterações em relação aos casos mais antigos (p.ex. O cidadão que frequentava a Av Padre Manuel da Nóbrega faleceu recentemente).

Muito Importante:
NUNCA coloquem seringas encontradas no chão em papeleiras ou ecoilhas porque isso pode criar situações de insalubridade ou doença nos trabalhadores dos resíduos urbanos.