Protesto dos Vizinhos do Areeiro pela autorização de perda de três lugares de estacionamento a favor de uma esplanada do “Restaurante O Nobre” (Av. Sacadura Cabral 53B”)

Os Subscritores protestam à Junta de Freguesia por esta ter autorizado a perda de três lugares de estacionamento a favor de uma esplanada do “Restaurante O Nobre” (Av. Sacadura Cabral 53B”) num contexto de grave redução do estacionamento no Bairro dos Aviadores agravado agora com o encerramento do Parque Empark desta avenida (menos 391 lugares!).
Os Subscritores questionam quanto recebe (se recebe) a Junta por esta perda de estacionamento, os motivos da sua autorização e a duração do mesmo.

Subscrevem 176 moradores: https://www.facebook.com/groups/Vizinhos.do.Areeiro/permalink/2564932893819502/

resposta da JFA:

“GAP/ 7278 /2020Exmos. Senhores,Em resposta ao vosso email que nos mereceu a nossa melhor atenção, encarrega-me o Senhor Presidente da Junta de Freguesia do Areeiro, de informá-los do seguinte:Estamos cientes de que a saída da Empark veio retirar estacionamento à zona e sabendo nós desta situação já tínhamos apresentado à Câmara Municipal de Lisboa uma proposta para criar zonas exclusivas para o dístico da zona (moradores), de forma a mitigar o diminuto número de lugares. Esta proposta foi bem aceite pela CML e foi-nos confirmado que estão junto da EMEL a estudar este pedido.Quanto aos lugares ocupados pela restauração foi por iniciativa do Sr. Presidente da CML a fim de ajudar a ultrapassar as dificuldades que estas empresas passam devido às normativas da DGS. Estes pedidos são autorizados pela CML que após nos confirma autorização de licença com prazo até ao fim de 2020, salvo casos excepcionais.Em relação aos abusos de empresas já participamos à Polícia Municipal e Emel, entidades com competência nesta matéria.Sem outro assunto de momento, apresentamos os nossos cordiais cumprimentos,”

Calçada Artística desaparecida nas obras da Praça Francisco Sá Carneiro

Tendo em conta que:

  1. A Praça Francisco Sá Carneiro, também conhecida como Praça do Areeiro, é uma das mais nobres da Cidade;
  2. a Praça Francisco Sá Carneiro estava rodeada de calçada artística de 1940s e que esta continua a existir nos quarteirões nascente e poente;
  3. o arranjo de superfície feito pelo Metropolitano de Lisboa, em lajes de cimento é árido, visualmente desinteressante e que contribuiu para o aquecimento e impermeabilização do solo;
  4. a zona pedonal da praça é plana e não tem árvores que possam deformar o chão;
  5. uma calçada bem aplicada pode durar anos com pouca manutenção;
  6. se trata de uma valorização artística, histórica e turística da zona.
    Os subscritores apelam a que a CML avalie uma opção mista com calçada acessível nas zonas de passagem das pessoas e artística onde ela existia em 1940.

Subscrevem 256 moradores em
https://www.facebook.com/groups/Vizinhos.do.Areeiro/permalink/2544876472491811/


Resposta da CML de 05.11.2020

“Relativamente à reclamação apresentada por V. Exas., sobre o assunte em epígrafe, cumpre informar o seguinte:

 1. A Praça Dr. Francisco Sá Carneiro tem um carácter de interface rodoviário, o que provoca uma intensa circulação pedonal diária, pelo que, na execução do projeto, foi considerado prioritário o conforto e a segurança dos peões. Efetivamente, esta Praça é muito relevante no tecido urbano da cidade de Lisboa, argumento referido no email, com o qual concordamos totalmente, razão pela qual o projeto contemplou a utilização de um material nobre no pavimento, ou seja, lajes de pedra Azulino de Cascais, não lajes de betão, como é sugerido na reclamação. Este pavimento, apesar de não ser contínuo, promove a circulação pedonal mais confortável pelas grandes dimensões das lajes e o seu acabamento, semi bujardado, diminui os riscos de escorregar.

2. Outro factor que pesou na utilização do Azulino de Cascais, foi o facto de ser uma pedra calcária, natural da zona de Lisboa, resistente e por ser cinzento azulada, proporciona um maior conforto à circulação pedonal, tanto em termos térmicos como de índice de reflexão do que a calçada de vidraço, e sendo uma praça muito exposta e por não ser possível introduzir mais árvores, devido à ocupação do subsolo.

3. Mais se informa que o subsolo da praça está quase todo ocupado por infraestruturas, razão pela qual a base do pavimento tem de ser reforçada, situação que também ocorreria, caso se optasse por calçada, pelo que a infiltração de águas no solo não é possível, a não ser nas áreas de canteiros adjacentes e mesmo assim apenas em alguns pontos.

4. Apesar de pertinente a reclamação em causa e a Calçada Portuguesa ser sem dúvida um fator patrimonial a preservar, foi considerado que nesta Praça, pelas razões anteriormente referidas e por não se localizar no Centro Histórico, se deveria privilegiar a segurança e o conforto da circulação pedonal, adotando-se um material que, não sendo a calçada, pudesse dignificar este espaço de referência da cidade e ao mesmo tempo conjugar um elemento nobre como a pedra com a formalidade conceptual expressa em toda a praça, tanto em termos de edificado como da escultura do Dr. Francisco Sá Carneiro.

Acrescenta-se ainda que este projeto, desde que foi executado em 2004, foi objeto de várias apreciações públicas e aprovado tanto pelo Dr. Santana Lopes como pelo Dr. António Costa, na qualidade de presidentes da Câmara Municipal de Lisboa. “