Encontro dos Vizinhos do Areeiro com a EMEL sobre a Rede de Bicicletas Partilhadas GIRA

No passado dia 16 de Fevereiro os Vizinhos do Areeiro e Vizinhos das Avenidas Novas foram recebidos na sede da EMEL, sobre o tema da Expansão da Rede de Bicicletas Gira.

Foram abordadas as questões referentes ao actual atraso na expansão da rede, bem como as razões para o número de bicicletas GIRA disponíveis serem inferiores ao previsto, com o mínimo registado no final do verão de apenas cerca de 300 bicicletas disponíveis.

Os objectivos para a Rede Gira irão passar no futuro por uma rede de 300 estações e um número de bicicletas disponíveis a rondar as 3000, mantendo o rácio de maioritariamente eléctricas, de forma a acompanhar a crescente procura que se pode constatar.

Foram pedidas sugestões de melhoramento para esta nova fase e a opinião dos presentes para as novas ideias que estão a ser estudadas pela EMEL. Nesse contexto foram apresentadas as sugestões recolhidas pelos Vizinhos, como a necessidade de extensão da Rede a outros pontos da cidade, a melhor identificação do número individual das bicicletas de forma a poder reportar abusos e acidentes, bem como o estudo da viabilidade de publicidade nas mesmas de forma a cofinanciar o projecto.

Foi referido por parte da EMEL que se encontra em estudo a possibilidade das novas bicicletas possuiram um tipo de cadeado que permita paragens momentâneas e a ideia da criação de docas virtuais, locais designados onde as bicicletas possam ser deixadas na ausência de docas ou no caso das mesmas se encontrarem sem lugar disponível.

Foram discutidas as novas ciclovias que estão a ser planeadas e realizadas, bem como alguns erros e problemas na sua construção.

Os Vizinhos do Areeiro estiveram na “CONFERÊNCIA ANUAL DA PASC – CASA DA CIDADANIA 2019”

Intervenção de Rodolfo Franco pelos “Vizinhos do Areeiro”:

“Os Vizinhos do Areeiro é um Movimento Cívico inorgânico, de causas locais e cidadania activa, não-partidária, representando o Núcleo do Areeiro na Associação Vizinhos em Lisboa, que incluí também núcleos assentes no mesmo modelo nas Avenidas Novas, Alvalade, Arroios e agora o muito activo e mais recente de Alcântara.

O movimento Vizinhos do Areeiro começou por ser uma página no Facebook e isso permitiu responder de imediato às questões que surgiram, sendo que essa presença seria muito difícil de alcançar de outra forma, algo que as autarquias estão hoje também a aprender a gerir.

Hoje em dia crescemos para além da presença nessa plataforma e realizamos vários eventos, como por exemplo, hoje mesmo, irá decorrer uma conversa informal, aberta a todos, com uma representante da Embaixada da Finlândia sobre o modelo de ensino desse país.

Realizamos também passeios pela freguesia, registo de problemas de segurança, levantamento de devolutos e outras situações.

Os Vizinhos do Areeiro funcionam num modelo de subscrição pública, onde um texto com uma proposta é publicada no Grupo e sujeito a votação durante um período fixo, tipicamente uma semana, e que resulta quase sempre de sugestões ou reclamações dos moradores.

Quem concorda com o tema coloca o seu “Gosto”, que conta como um voto, sendo que se discordar pode também colocar o seu voto contra.

A proposta ou reclamação não é enviada em nome dos Vizinhos do Areeiro mas sim dos seus subscritores que fazem parte daquele colectivo e que mostraram a sua adesão, pelo que para diferentes propostas existe sempre diferentes pessoas, sendo por isso um modelo muito flexível.

O nosso objectivo é de fazer as coisas numa base muito local, de freguesia e de cidade, com os autarcas e eleitos que felizmente lêem e dão atenção ao que expomos – mesmo que por vezes não concordem.

Para isso é importante o marcar presença em todas as oportunidades que são dadas para o cidadão intervir, que não são muitas: as assembleias de freguesia, as assembleias municipais, em especial as descentralizadas, onde podemos e levamos os temas que os nossos Vizinhos nos fazem chegar.

É muito importante essa presença e sentir que existe uma colaboração entre os eleitos e nós os cidadãos, especialmente quando também nos dão a oportunidade de reunir e expôr os nossos temas em pessoa.

Fazemos também as comunicações às entidades competentes quando há por exemplo uma degradação do espaço público, como no Jardim Fernando Pessa ou no parque infantil da Alameda. (Realizámos também o levantamento de varandas e beirais em mau estado após parte ter caído sobre um dos nossos Vizinhos.)

Para além das propostas, fazemos chegar aos eleitos pedidos de informação e vamos insistindo especialmente quando os prazos legais de resposta não são cumpridos.

Também estamos atentos à gestão dos orçamentos e à falta de transparência de algumas rúbricas que muitas vezes não são discutidas antes de ser aprovadas, ou que simplesmente estão inscritas como “outros”.”

Reunião dos Vizinhos do Areeiro com Crescer (sobre situação dos Sem Abrigo no Areeiro)

Em finais de Janeiro de 2019 os Vizinhos do Areeiro estiveram em reunião com a Crescer.org uma associação de apoio a Sem Abrigo e especializada no apoio a cidadãos nessa condição e em situação de dependências de álcool ou drogas. Foi fornecida uma visão da situação nesta freguesia e da evolução recente assim como dos casos mais graves e antigos da nossa freguesia.
Ficou definida a existência de uma situação que, no Areeiro, não se reduziu tendo conhecido, pelo contrário, um agravamento nos últimos meses e reconhecida o carácter flutuante desta população (o que dificulta qualquer “contagem”).

Em suma, sinalizámos algumas situações de cidadãos Sem Abrigo e peço que nos enviem por MP ou para geral@vizinhosdoareeiro.org novas situações ou alterações em relação aos casos mais antigos (p.ex. O cidadão que frequentava a Av Padre Manuel da Nóbrega faleceu recentemente).

Muito Importante:
NUNCA coloquem seringas encontradas no chão em papeleiras ou ecoilhas porque isso pode criar situações de insalubridade ou doença nos trabalhadores dos resíduos urbanos.

Pedido para um Referendo para um novo brasão para o Areeiro (e lançamento de concurso de ideias)

Decorre actualmente a selecção de um novo brasão para o Areeiro por parte da Comissão de Heráldica da Assembleia de Freguesia (AF).
Os subscritores apelam à AF para que leve a referendo aos moradores 3 propostas deste novo brasão:
Em 2017 a Freguesia da Misericórdia levou a referendo 3 propostas para um novo brasão porque “queremos que esta seja uma escolha muito participada pela população. Porque isto trata-se de algo que vai ficar por muitos anos. Nós iremos embora e o brasão permanecerá como símbolo da freguesia durante muito tempo”.
Sugerimos ainda o lançamento de um concurso de ideias para o brasão, coordenado pela AF (que tem o pelouro da iniciativa)

Subscrevem
Rui Pedro Martins
Jorge Oliveira
Anabela Nunes
Luis Seguro
Pedro Pinto
Elvina Maria Reis Rosa
Fátima Mayor
Leonilde Ferreira Viegas
Carlos Matias
Bruno Beja Fonseca
Rosarinho Quina
Ana Costa
Francisco Lopes da Fonseca
Belicha Geraldes
Mariana Bettencourt
Clara Ribeiro
Maria Saraiva
Manuela Melo
Maria Mar
Ilda Cruz
7 amigos em comum
Stela Correia
Cristina Milagre
João Santos
Lezíria Couchinho
Mário Baptista
Cristina Casaleiro
Maria Luisa Ferreira
Isabel Tomás
Margarida Suárez
Jorge Almeida
Manuela Bastos
Emanuel Genovevo Costa
Nuno Saraiva Rego
Ines Pintado Maury

Actualização de 23 de Janeiro:
“Na minha qualidade de coordenador da comissão, agradeço o vosso input, que será tido em conta.
Melhores cumprimentos,
Luis Moreira” (Eleito e Membro independente da Assembleia de Freguesia do Areeiro que coordena a comissão que nesta assembleia conduz este processo)

 

LANÇADO MAIS UM GRUPO DE VIZINHOS: “VIZINHOS DE ALCÂNTARA”

Foi lançado mais um grupo de Vizinhos em Lisboa!
A partir do “Vizinhos do Areeiro” (lançado em Junho de 2016) e adoptando o mesmo modelo de funcionamento surgiram, por ordem, o colectivo “Vizinhos da Penha de França” e o “Vizinhos de Alvalade”, e, mais recentemente (Junho de 2017),  “Vizinhos das Avenidas Novas” e em Outubro de 2017, os “Vizinhos de Arroios”.

É a estes grupos de cidadãos junta-se agora, em Janeiro de 2019, o

Vizinhos de Alcântara:
https://www.facebook.com/groups/VizinhosDeAlcantara/


Vizinhos de Arroios:
https://www.facebook.com/groups/Vizinhos.De.Arroios/

Vizinhos do Areeiro:
https://www.facebook.com/groups/Vizinhos.do.Areeiro/

Vizinhos da Penha de França:

Vizinhos de Alvalade:

Vizinhos das Avenidas Novas:
Qualquer outro grupo que exista em Lisboa com a mesma designação “Vizinhos de…” é uma apropriação não autorizada do conceito e não nos responsabilizamos pelos conteúdos que aqui apareçam ou pela apropriação dos mesmos por forças políticas ou por interesses terceiros.
Regras para Posts e Comentários sob as quais se regem estes grupos:
1. Propaganda política ou partidária será apagada sem aviso
2. Publicidade comercial será apagada sem aviso
3. Todos os Posts que não tenham relação directa com a freguesia serão removidos
4. Comentários que contenham insultos, que não respeitem os mais básicos critérios de urbanidade e respeito pelo ponto de vista alheio assim como ataques pessoais ou de carácter a outros membros do grupo serão removidos, os seus autores banidos e, em casos extremos, denunciados ao facebook.
5. Quem participar do grupo apenas para o criticar será banido sem aviso
6. Não serão aceites perfis anónimos
Todos estes grupos são movimentos informais, inorgânicos e não-partidários (nem autárquico independente) de Vizinhos.

 

Relatório semestral CDC (Bairro Portugal Novo)

Relatório do CDC enviado pela Junta de Freguesia a pedido dos Vizinhos do Areeiro:
“GAP/ 2431 /2018
Em relação ao assunto em epigrafe, encarrega-me o senhor Presidente da Junta de Freguesia do Areeiro de enviar em anexo o relatório semestral do CDC relativo ao período de 1 de janeiro a 30 de junho de 2018, assim como foi solicitado.”
Relatório 3_Semestre_CDC

Por uma Assembleia de Freguesia mais Participada e Participativa

Os subscritores desta mensagem sugerem:
à Assembleia de Freguesia que:
1. todas as datas, locais e horas das AF sejam calendarizadas no início do ano, tornando-as previsíveis e facilitando assim a sua divulgação.
2. sejam limitadas ao mínimo indispensável as moções de índole nacional ou geral que extravasam as competências de uma Junta de Freguesia.
3. se promova uma alteração legislativa (via partidos representados na AF e no Parlamento) por forma a que as AF se realizem numa maior frequência que a actual (3 meses) para que a hora de encerramento (geralmente pelas 24:00) as torne mais acessíveis à maioria dos cidadãos e assim se permita um maior e mais intenso escrutínio do mandato por parte dos eleitos da AF.
4. seja reforçadas as formas de divulgação da realização das AF nomeadamente através do registo numa newsletter, na página facebook da Junta e, em local mais acessível (página principal) do site da autarquia.

ao Executivo da Junta de Freguesia que:
1. em cada comunicação recebida pela autarquia, por mail, entregue por requerimento escrito ou em mão em Assembleia de Freguesia (AF), por parte dos cidadãos, seja enviada uma resposta automática com uma numeração única (p.ex. seguindo exemplo da Assembleia Municipal num formato “ENT/<nº>/JFA/<ano>”) – o que já é feito – mas indicando o dia e hora da recepção da mensagem. Esta referência deverá depois seguir, no subject, todas as comunicações posteriores com o freguês e ser usada para garantir o cumprimentos dos prazos dispostos no CPA.
2. por parte de todos os eleitos e membros do Executivo, em assembleia, seja garantido um compromisso de atenção para com os cidadãos que intervenham no período de antes da ordem do dia.

a ambos que:
1. seja escrupulosamente respeitado o disposto no n.º 3 do artigo 106.º e do artigo 107.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 4/2015, de 7 de janeiro no que concerne às respostas aos cidadãos e, mais concretamente no que concerne aos prazos, clareza e eficácia das respostas.
2. a AF e Executivo reflictam sobre os baixos índices de participação dos cidadãos nas assembleias e realize qualquer acção adicional a esta lista que entenda poder contribuir para a resolução deste problema de subparticipação dos cidadãos neste importante órgão autárquico.

Requere-se resposta ao Presidente da Assembleia de Freguesia do Areeiro e ao Presidente da Junta de Freguesia do Areeiro nos termos e para os efeitos do disposto no n.º 3 do artigo 106.º e do artigo 107.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 4/2015, de 7 de janeiro e do prazo de 20 dias para resposta aos fregueses inscrito no Regimento da AF

Subscrevem
Rui Pedro Martins
Rodolfo Franco
Cláudia Casquilho
Nuno Dinis Cortiços
Anabela Nunes
Madalena Matambo Natividade
Luis Seguro
Elvina Maria Reis Rosa
Ana Benavente
Leonardo Rosa
Francisco Tellechea
Pedro Pinto
Nuno Miguel Cabeçadas
Sofia Carvalho Coelho
Victor Serra
Elsa Felizardo
Isabel Tomas Rodrigo
Alexandra Rg
Carlos Matias
Leonilde Ferreira Viegas
Eduardo Pessoa Santos
Fátima Mayor
Francisco Lopes da Fonseca
Carla Caló
Teresa Ferreira
Jacinto Manuel Apostolo
Irene Coelho
Belicha Geraldes
Fernando Anjos
Paulo Silva
Ilda Cruz
Luisa Rebordao
Stela Correia
Paula Santiago
Cristina Milagre
Zélia Pereira
João Santos
Clara Ribeiro
Leonor Antunes Debrito
Elisabete Henriques
Maria Claro Ribeiro
Diamantino Lopes
Maria Margarida Silva
João Ribafeita
Pedro Diogo Vaz
Tereza Taveira
Margarida Amores Trindade
Flavia Cunha Lima
Maria De Lurdes Canto
Isabel Tomás
Rita Luis
Ana Elisa Costa Santos
Elisabete Laranjeira Lopes
Fátima Silva
Mafalda Teixeira
Helena Sá Leonardo
Gerson Antunes Costa
Antonio Sequeira
David Silva
David Vale

“Cidadãos fazem renascer o espírito de vizinhança… no Facebook” [Revista de Imprensa]

Logótipo do grupo Vizinhos do AreeiroA Associação “Vizinhos Em Lisboa – Associação De Moradores”, fundada em fevereiro deste ano, assume-se como uma nova rede de cidadania local para a cidade de Lisboa, que se pauta pela independência política, pelo foco na cidadania ativa e respeito por todas as opiniões e contributos dos cidadãos. Nasceu de um movimento inicialmente criado na freguesia do Areeiro, e hoje está já também na Penha de França, em Alvalade, nas Avenidas Novas e em Arroios.

Segue-se uma entrevista com Rui Martins, fundador do grupo e ativista de causas locais e de âmbito nacional.

 

Como, quando e porque nasceu a ideia de criar o grupo Vizinhos do Areeiro?

A ideia de lançar um projecto de cidadania activa e digital, de base hiperlocal (uma freguesia) começou em Março de 2016. A ideia foi inspirada num grupo onde também estou activo – mas de âmbito maior – o Fórum Cidadania Lx e utilizando as potencialidades criadas pela presença da maioria dos habitantes no Areeiro na rede social facebook.

 

Para além do site, têm uma página e um grupo no Facebook. Porque escolheram o Facebook para alojar a atividade deste grupo?

Porque é nesta rede que estão, hoje, a maioria dos portugueses adultos. Com efeito a penetração desta rede social nos cidadãos portugueses é hoje em dia muito elevada. Estimamos que existam cerca de dez mil utilizadores na freguesia do Areeiro – onde começámos – dos quais cerca de metade acedem a esta rede pelo menos uma vez por dia (transferindo para a realidade local números nacionais) o que significa que hoje, com mais de 3400 membros, já estamos presentes, via núcleo local Vizinhos do Areeiro, em mais de metade dos lares do Areeiro. É uma taxa de presença interessante que nos dá uma presença local que não está, sequer, perto de qualquer outro meio de comunicação ou de convivência e partilha de situações, realidades ou comunidades.

Dados de atividade

O grupo Vizinhos do Areeiro no Facebook tem hoje 3309 membros e, às 10h00 do dia em que publicamos esta entrevista, já tinha registava 13 posts

 

Qual o perfil das pessoas que interagem com a página do grupo no Facebook? E de que forma interagem?

São pessoas que vivem ou trabalham no Areeiro. Essa é uma das regras de entrada: sendo que no grupo apenas entram que o desejar fazer (não adicionamos membros) e que concorde cumprir as regras de participação e o código de conduta que aplicamos de uma forma rigorosa e algo severa para impedir as flamewars comuns nestes meios digitais. São também pessoas, maioritariamente, com mais de 25 anos, mas sobretudo entre os 35 e os 54 anos. 57.7% mulheres.

Conjunto de regras

Os novos membros só são aceites depois de concordem cumprir as regras de participação claramente listadas na página do grupo no Facebook

 

O grupo tem 4 moderadores, certo? Qual a exigência de tempo que representa a gestão e moderação de um grupo como este?

Temos entre nós uma certa divisão de tarefas, mas as mais urgentes (essencialmente a gestão de conflitos criados por posts polémicos) são tratadas por todos. A entrada e bloqueio de elementos que violem as regras está concentrada em mim porque conheço o grupo e os seus membros deste o começo do grupo e, sobretudo, porque ao longo deste tempo todo pude aprender muito sobre a forma como se mascaram os trolls ou os perfis falsos ou duplos que existem nestes meios e que tentam entrar nos grupos mais ativos com o objetivo de minar a sua credibilidade ou de vender empréstimos ou outro tipo de serviços.

 

O interesse das pessoas pela sua rua ou pelo seu bairro pode despertar atitudes apaixonadas mas nem sempre corretas ou construtivas. De que forma lidam com esse tipo de situações?

Muito… Há temas que assim que surgem levam, sempre, a debates inflamados: as ciclovias, os dejectos caninos, a urina canina em portas e candeeiros, o Alojamento Local, etc. As regras existem basicamente para manter o debate contido e dentro dos limites impostos pela lei.

Geralmente, em casos mais extremos, o prevaricador é expulso sem aviso, noutros e sendo um membro mais antigo, é enviado um pedido de contenção ou de remoção do conteúdo mais polémico. Estas questões surgem mais nas caixas de comentários porque nos posts este passam por um processo de pré-aprovação o que permite atalhar, na base, logo essas maiores polémicas.

 

Sentem necessidade de organizar iniciativas offline para complementar o trabalho que desenvolvem online?

Muito. A regra é ter sempre planeada uma actividade offline a cada momento. Temos, actualmente, planeada, por exemplo, uma “Volta ao Areeiro” com passagem por vários pontos de interesse da freguesia com explicação.

Já fizemos jantares de grupo, debates públicos (sobre “Cidadania Local e Facebook” e outro sobre a Lei das Rendas), presenças, várias, em Reuniões Descentralizadas da CML, audições em comissões parlamentares sobre petições, arrendamento urbano e Alojamento Local, presenças na Assembleia Municipal (período antes da ordem-do-dia, em comissões ou para defesa de petições), presença – assídua – nas assembleias de freguesia e nas reuniões abertas do Executivo, e, sempre que nos pedem, reuniões ou voltas pela freguesia com forças políticas.

 

Vizinhos do Areeiro - Rui Martins

Rui Martins, fundador do grupo Vizinhos do Areeiro

Isso quer dizer que as forças políticas, a Junta de Freguesia do Areeiro e da Câmara Municipal de Lisboa reconhecem o trabalho que desenvolvem? Consideram-no uma mais valia e uma forma de melhor auscultar as necessidades e desejos das pessoas ou, pelo contrário, veem-no como um incómodo?

A CML sempre reagiu de forma mais fácil e ágil, provavelmente porque não somos o único grupo de cidadania local activo na cidade (e existem outras associações de moradores que funcionam de forma tão activa e dinâmica como nós).

A Junta, no começo reagiu de forma diferente, quer porque as competências da Junta foram muito alargadas pouco antes de começarmos a existir e não estava preparada para a aparição de um grupo de cidadania local tão activo mas politicamente desprendido como nós.

Hoje em dia, a CML continua a não responder a todos os pedidos e sugestões que fazemos (temos uma lista de pendentes que mantemos actualizada e que refrescamos a cada reunião descentralizada), a Junta tem uma lista mais extensa de pendentes, quer porque a quantidade absoluta de pedidos e sugestões é maior do que a enviada para a CML quer porque ainda não assumiu a mesma capacidade de resposta. Mas sentimos uma evolução muito positiva em ambas as autarquias e, sobretudo, uma atitude de compreensão e aceitação por esta realidade de existir, agora, uma rede de cidadania local, muito activa nesta freguesia.

Tags no site

No website, graças às etiquetas de classificação (tags) é fácil navegar os textos de acordo com o tema a que dizem respeito e é também rápido ver em que estado se encontra o pedido / proposta à autarquia (por resolver, em resolução, resolvido, respondido)

 

De que forma é que este grupo contribui para a vida da freguesia e da cidade?

Os benefícios são visíveis e registam-se em cada rua, passeio ou bairro. A qualidade do espaço urbano é superior ao que era há um par de anos, quando começámos. Ao longo dos dois anos que levamos de vida conseguimos várias realizações, especialmente em reação a problemas que na componente propositiva às autarquias temos encontrado maiores resistências…

Os passeios da freguesia estão mais bem cuidados do que nunca, os candeeiros raramente têm as luzes apagadas e os casos mais graves de limpeza urbana são rapidamente corrigidos após indicação de alguém da nossa rede. Algumas sugestões são implementadas sem que nos deem feedback, quer porque coincidem com projectos que já estavam em curso quer por outras razões: contentores de compostagem, obras indicadas pela CML para varandas e beirais em risco de queda (um levantamento que fizemos), devolutos (mapa) na freguesia, disponibilização de protocolos e parcerias nos sites das autarquias, falta de meios da PSP (reforçados recentemente após petição e audiências com vários grupos parlamentares), sessões de esclarecimento sobre obras polémicas (p.ex. a do Bairro do Arco do Cego), etc, etc.

Noutras questões a resposta é menos eficaz quer porque o problema extravase o âmbito e competências da autarquia (p.ex. na Municipalização do Bairro Portugal Novo, nos meios da PSP e nas questões decorrentes do consumo de álcool na via pública, entre outros).

De facto, onde há mais lacunas é mesmo na parte propositiva da nossa actividade: a Junta, frequentemente, não responde às nossas ideias e sugestões. E a CML idem: ideias como a criação de uma Assembleia Deliberativa de base aleatória, um “Cine Materno”, encerramento de jardins e creches.

Post no grupo Vizinhos do Areeiro

O grupo Vizinhos do Areeiro também ajuda os membros a agir, intermediando as suas sugestões ou denúncias quando não se sentem habilitados para o fazer

 

Os Vizinhos do Areeiro fazem propostas e pedidos regulares à CML e à Junta de Freguesia em nome de membros específicos que manifestaram o seu apoio (por exemplo este). Como identificam essas pessoas?

O modelo está em evolução permanente. Actualmente usamos o botão “zangado” (😡) como voto negativo. Se ao fim de 24 horas houver mais “zangados” que “gostos” a subscrição é descartada. O mesmo acontece se não houver cerca de 10% de “gostos” um dia depois da subscrição ser lançada.

A lista de nomes que incluímos na comunicação às entidades é a que existe na altura do envio da mesma (e registo dos subscritores no site) pelo que é sempre possível que mais pessoas, depois, acedam ao link da subscrição no grupo e adicionem o seu próprio nome. Claro, que nesse caso, o seu nome não consta do documento enviado à autarquia.

 

Descrevem os Vizinhos do Areeiro como uma iniciativa de sucesso. Porquê? O que os leva a considerar este trabalho como bem sucedido?

Pelo capacidade de produzirmos efeito no mundo real e concreto e de fazermos sair as pessoas do sofá e de uma vida unicamente virtual. Conseguimos contribuir para a criação de um espírito de comunidade numa freguesia que resultava da agregação administrativa de duas freguesias com grandes disparidades sociais e culturais e, pelas várias realizações (reactivas) e até propositivas conseguimos criar uma pegada na realidade que hoje é reconhecida por todos agentes autárquicos e administrativos da cidade de Lisboa.

 

Houve algum momento de viragem na vida do grupo?

Sim, a presença em canais de televisão sobre questões fracturantes (a segurança no Bairro Portugal Novo e o aumento dos preços do arrendamento) marcou um outro nível de impacto e reconhecimento da influência do grupo na comunidade.

Outro momento de viragem sucedeu aquando da nossa primeira presença numa reunião descentralizada da CML, em finais de 2016 onde levámos então já todos os assuntos pendentes de resposta desde começo desse ano.

 

O que mais vos tem surpreendido no decurso deste projeto?

A intensidade com que as pessoas se ligam a causas de natureza local. De facto, quanto mais próxima é causa (do coração ou do local onde vivem) maior é a intensidade com que participam neste colectivo. Sendo esta, aliás, a grande razão do sucesso e da eficácia do grupo: a criação e funcionamento de uma rede de cidadania local e de proximidade capaz de reagir, em tempo real, às situações e problemas que vão surgindo e que propõe soluções com competências e meios para os resolver.

 

Que desafios enfrentam?

A presença ou tentativa de entrada de trolls ou de elementos perturbadores que, sob pretextos diversos, tentam minar a capacidade de funcionamento do grupo e o bom entendimento e relacionamento entre os seus membros.

 

Se não houvesse limitações, de dinheiro, tempo ou outras, o que gostariam que acontecesse?

Que as autarquias fossem mais lestas e eficientes a responderem aos nossos pedidos… Que nunca houvesse uma resposta por fazer (por vezes um “mensagem recebida” chegaria) e, claro, uma capacidade para podermos funcionar de forma mais eficiente e ampla na resposta às propostas e reclamações que diariamente nos vão chegando.

 

Que recomendações dariam para pessoas que quisessem dar origem a um grupo semelhante numa outra cidade?

Depois do Areeiro ajudámos a criar vários grupos semelhantes noutras freguesias e actualmente temos um grupo em Odivelas que está a começar nos mesmos moldes, com as mesmas regras de participação (e logotipo). O crucial nestes grupos é manter uma raiz de participação não-partidária, de cidadania local e grande proximidade junto das pessoas, sendo capaz de dialogar, em bom registo, com todas as autarquias e organizações “técnicas” dentro das mesmas e até com todas as forças partidárias e com os seus representantes nas mesmas.

PUBLICADO POR:   Ana Neves

Sócia e Diretora Geral da Knowman, empresa de consultoria nas áreas de gestão de conhecimento, comunidades de prática, ferramentas sociais e participação cívica digital. É uma das organizadoras do evento Cidadania 2.0 e a pessoa responsável pela plataforma Cidadania 2.0.”