Entrevista de 17.01.2018 da Antena 1 aos “Vizinhos do Areeiro” e aos “Vizinhos de Arroios”

Seguintes temas dos Vizinhos do Areeiro e dos Vizinhos de Arroios abordados na entrevista:
1. O encerramento da 10ª Esquadra da PSP de Arroios (que serve, também, segundo o site da Junta, Areeiro)
2. O abate de 12 árvores por causa da construção do parque de estacionamento da Rua Margarida de Abreu
3. A existência de uma comunidade nómada, com vários problemas de saúde pública, entre a Quinta das Ameias e a Rua Margarida de Abreu
4. A proposta para a criação de uma Assembleia Deliberativa pela CML
5. A preservação das Ameias e das ruínas da capela da Quinta das Ameias
6. Os problemas (graves e crescentes) de insegurança no Areeiro
Estejam atentos às emissões da Antena 1…

“Câmara de Lisboa prepara fim à venda de bebidas em copos de plástico descartáveis” [O Corvo]

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“A cidade de Lisboa deverá adoptar, durante os próximos anos, um conjunto de medidas restritivas da utilização de copos de plástico descartáveis para a venda de bebidas em estabelecimentos comerciais, a fim de aliviar as suas actuais pesadas consequências ambientais”
(…)
“na semana passada, O Corvo dava conta da contestação por parte de um grupo de moradores da zona do Bairro do Arco do Cego ao lixo produzido – para além do ruído – por agrupamentos de jovens que se concentram junto a um estabelecimento que vende cerveja a preços reduzidos. A Junta de Freguesia do Areeiro diz que tem de recolher centenas de copos de plástico, quase todos os dias. Uma das proposta da petição dos residentes na área, entregue na Assembleia Municipal de Lisboa para denunciar a situação – e promovida pelos colectivos Vizinhos do Areeiro e Vizinhos das Avenidas Novas – é da introdução de um sistema de bonificação de a quem devolva dez copos utilizados. Uma medida defendida também pela Quercus. “A introdução de um sistema de caução tem funcionado bem, há experiências positivas em festivais de música”, afirma Carmen Lima.”

http://ocorvo.pt/camara-de-lisboa-prepara-fim-a-venda-de-bebidas-em-copos-de-plastico-descartaveis/

“Consumo de álcool na rua e ajuntamentos estão a irritar vizinhança no Arco do Cego” [O Corvo]

Atraídos pelo preço baixo da cerveja da casa de pasto “Oh Pereira”, os aglomerados de jovens são cada vez maiores, na Rua do Arco do Cego e no jardim contíguo à sede da Caixa Geral de Depósitos. Há gente a beber na rua de copo na mão, mas também de garrafas de litro em punho, compradas na loja do posto de combustível mesmo ao lado. Chegam a ser centenas a conviver naquela zona. Lixo, barulho, corridas e acrobacias de motos tornaram-se uma realidade corriqueira, a perturbar o até há pouco tempo recatado Bairro do Arco do Cego. Um abaixo assinado dos moradores pede medidas às autoridades, entre as quais a imposição de uma restrição horária. Os gerentes dos dois estabelecimentos alijam-se de responsabilidades e sugerem que se vigie melhor a actividade do vizinho do lado. A casa de pasto, entretanto, terá já acordado com a Câmara de Lisboa passar a fechar às 23h.

Texto: Samuel Alemão

Barulho até horas tardias, mau ambiente, corridas de motos, copos de plástico espalhados pelo chão e urina em todo os recantos. O cenário, que se vai repetindo – se bem que com variantes – um pouco por todos os sítios da cidade de Lisboa onde ocorra diversão nocturna ou convívio de jovens, está longe de ser apelativo e quem tem de o suportar quase diariamente pede medidas urgentes às autoridades. No caso, os residentes do Bairro do Arco do Cego sentem-se acossados pelas consequências dos frequentes ajuntamentos de convivas no Jardim dos Cavaleiros, no anfiteatro exterior do edifício-sede da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Os preços apelativos da cerveja vendidas por dois estabelecimentos situados do outro lado da rua, uma casa de pasto e uma gasolineira, serão o chamariz. Associação de Moradores das Avenidas Novas e o presidente da Junta de Freguesia do Areeiro dizem que o problema só se resolve com a proibição da venda de álcool na rua. Mas os responsáveis por ambos os espaços comerciais, ouvidos por O Corvo, recusam a assunção de culpas pelo cenário criado, garantindo cumprir todas as regras. “Não podemos ir atrás das pessoas ou ensinar-lhes regras de civismo. Isso é um problema da sociedade”, afirma um deles.

“Aquilo funciona como um pólo que atrai malta que, de copo na mão, anda por ali e vai para dentro do bairro do Arco do Cego. Há corridas de motas, alguns a fazerem cavalinhos. É natural que as pessoas fiquem chateadas”, diz a O Corvo o presidente da associação de moradores, José Toga Soares, lembrando que os protestos dos residentes já haviam levado ao encerramento do estabelecimento comercial em questão – a casa de pasto “Oh Pereira” –, há cerca de dois anos. As queixas eram as mesmas de agora. A loja reabriu, entretanto, com nova gerência.

E embora José Soares até admita que os seus donos da casa de pasto “até têm um pouco de consciência dos níveis de ruído permitidos”, o incómodo voltou a ser de tal dimensão que levou os moradores – liderados por elementos dos grupos cívicos Vizinhos do Areeiro e Vizinhos das Avenidas Novas – a entregarem uma petição à Assembleia Municipal de Lisboa (AML), solicitando a tomada de providências. Mas também o pedem medidas à Polícia Municipal, à Caixa Geral de Depósitos, aos dois estabelecimentos em causa e ainda aos conselhos directivos do Instituto Superior Técnico e da Escola Filipa de Lencastre. Afinal, serão alunos seus os que mais contribuirão para as aglomerações.

“Já recebemos diversas queixas e até já expusemos o caso na Assembleia Municipal de Lisboa. É uma situação que resulta do facto de as pessoas poderem beber na rua. Todos, enquanto jovens, gostávamos de nos divertir e beber uns copos, mas estas situações, cada vez mais recorrentes, são inadmissíveis”, diz a O Corvo o presidente da Junta de Freguesia do Areeiro, Fernando Braancamp Freire (PSD), descrevendo um cenário de frequente perturbação do sossego de quem ali vive.

“É extremamente desagradável. As pessoas que para ali vão, além do ruído que causam, sujam o espaço público. Vão urinar para os cantos, devido ao consumo da cerveja. E não imaginam a quantidade de copos de plástico que temos que apanhar do chão naquela zona, são às centenas”, queixa-se o autarca, que tem de lidar com um problema gerado na freguesia vizinha, a das Avenidas Novas, uma vez que é lá, do outro lado da Rua do Arco do Cego, que se vende a cerveja.

O autarca reconhece que o problema se põe de forma inversa junto ao Jardim do Arco do Cego, uma vez que, nesse caso, existe na Rua Dona Filipa de Vilhena um outro estabelecimento com preços de cerveja muito baixos – resultando na venda de bebidas em copos de plástico na freguesia do Areeiro que vão sujar o espaço público da freguesia das Avenidas Novas.

Por causa desta situações, Fernando Braancamp Freire propôs à Câmara Municipal de Lisboa uma redução de ambos os comércios, “para que não aconteça aquilo que tem vindo suceder, que é fazer-se do espaço público o prolongamento dos estabelecimentos”. Mas a situação apenas mudará a sério, defende o presidente da junta, quando se proceder a uma alteração legislativa. “Isto nasce do facto de a lei permitir que as pessoas bebam na rua. Enquanto cidadão, acho que a única forma de resolver o problema será a mudança da lei para o proibir. Não faz sentido continuarmos como estamos”, diz.

Uma opinião partilhada por José Toga Soares, presidente da Associação de Moradores das Avenidas Novas. “Não podemos permitir que as pessoas andem com um copo ou uma garrafa na mão, a consumir álcool, a importunar os outros, como se fosse uma coisa natural. De facto, podemos reconhecer que nem toda a gente se comporta assim, e ninguém quer pôr em causa o direito à diversão. Mas, no limite, está em causa ao bem-estar, devido a um punhado de pessoas que põe em causa o bem estar dos outros”, afirma o dirigente associativo.

José Soares apela ainda a que se olhe para a forma como em Espanha se lidou com o consumo de bebidas alcoólicas na rua por grandes grupos, conhecido por “botellón”. Fenómeno que as autoridades conseguiram erradicar quase por completo. “Não é preciso inventar muito. Basta ver como outros países lidam com isto”, preconiza, embora reconheça o “esforço que a Câmara de Lisboa tem feito para suster o problema”. “Mas não chega, é preciso fazer mais”, diz.

No abaixo-assinado entregue à AML, os residentes do Bairro do Arco do Cego pedem aos estabelecimentos Oh Pereira e ao posto de combustíveis da Galp, situados quase paredes-meias, que adoptem um conjunto de práticas tendentes a melhorar a vivência na zona: colocação de contentores; preocupação com limpeza do espaço exterior; colaboração na recolha de copos e garrafas depositados no jardim; colocação de avisos apelando ao comportamento cívicos dos clientes; ou ainda a oferta de uma bebida por cada dez copos de plástico entregues ao balcão.

Mas também solicitam à CML que “avalie a venda de álcool para o exterior a partir de determinada hora nesses dois estabelecimentos” e que avalie a instalação de videovigilância no local. Às autoridades policiais é solicitado o reforço das rondas “por forma a dissuadir e impedir as concentrações/corridas e exibições de acrobacias de moto” que ali se realizarão com regularidade.

O reforço da vigilância por parte das autoridades é, aliás, a principal exigência de Tiago Pereira, o gerente do “Oh Pereira”. “Uma coisa que acabava com isto de vez era o reforço do policiamento. Se eles passassem aqui mais vezes, estes problemas não se colocavam. Também não gosto de ver essas corridas e acrobacias de motas nesta zona”, diz o empresário a O Corvo, lamentando estar a ser responsabilizado por uma situação em relação à qual, garante, não tem controlo. “Temos sido visitados pela Polícia Municipal e temos sempre tudo em ordem, cumprimos com todos os requisitos. Fazemos questão de apanhar os copos de plástico que ficam no chão e de limpar o espaço público em redor da nossa casa”, garante.

O responsável por estabelecimento, que reabriu, há cerca de ano e meio, com um conceito algo diferente – mas que mantém no baixo preço da cerveja (a imperial custa 60 cêntimos até às 21h, depois disso sobre para um euro) um atractivo maior -, queixa-se da existência de dualidade de critérios em relação à vizinha loja de conveniência da Galp. “Estamos proibidos de vender garrafas de vidro, mas aqui ao lado isso não acontece. A Câmara de Lisboa tem sido forte com os fracos, como nós, e fraca com os fortes”, diz, referindo-se ao posto da Galp. Mas tal duplicidade de avaliação estender-se-á também à forma como o grupo de cidadãos que apresentou a petição olha para a realidade: “Acho que exageram manifestamente. Se virem uma saco do McDonald’s no chão, acham que a culpa é do cliente, mas se virem copos de plástico aqui na zona a culpa já é nossa”.

Tiago Pereira reconhece que muita da sua clientela é constituída por jovens, mas desmente que os mesmos sejam, na sua maioria, alunos do Instituto Superior Técnico ou da Escola Dona Filipa de Lencastre. “São jovens, sim, mas a maior parte, se calhar, até são consultores das empresas que fazem outsourcing aqui na Caixa Geral de Depósitos. E muitos outros vêm aqui porque estão apenas à espera que o Jardim do Arco do Cego, que esteve em obras, reabra”, justifica, depois de assegurar que, além de comprarem no seu estabelecimento e na gasolineira ao lado, muitos clientes abastecer-se-ão de bebidas alcoólicas “nas lojas dos indianos”. Em todo o caso, muitas das razões de queixa dos moradores a propósito do desassossego nocturno serão, em breve, mitigadas, pois o Oh Pereira passará a encerrar uma hora mais cedo, às 23h.

Será apenas 45 minutos antes do horário de fecho do posto da Galp. Loja cujo o gerente se diz de consciência tranquila em relação às queixas dos moradores das redondezas – das quais disse a O Corvo ser desconhecedor. “Atendemos todo o tipo de gente. Vendemos, sobretudo, garrafas de cerveja de um litro, às quais se costuma chamar ‘litrosa’, como também tabaco e servimos de sanitários para muita gente. Não temos é aqui 500 pessoas à porta, como acontece aqui ao lado”, afirma Adão Graça, responsável pela administração do posto de vende e combustíveis e loja de conveniência associada.“Não podemos ir atrás das pessoas ou ensinar-lhes regras de civismo. Isso é um problema da sociedade”, diz, ainda. Assegurando que zela pela limpeza do espaço exterior junto ao estabelecimento, não deixa, porém, de fazer um reparo: “Garrafas no chão vêem-se muito poucas, agora copos de plástico é que há sempre muitos”.

* Nota de redacção: texto actualizado às 16h51, de 28 de dezembro, clarificando papel desempenhado pelos grupos Vizinhos do Areeiro e Vizinhos das Avenidas Novas.”

http://ocorvo.pt/consumo-de-alcool-na-rua-e-ajuntamentos-estao-a-irritar-vizinhanca-no-arco-do-cego/

Os Vizinhos do Areeiro estiveram na reunião entre o “Morar em Lisboa” (que integramos) e o Bloco de Esquerda sobre Alojamento Local de 29.11.2017

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“O movimento cívico “Morar em Lisboa” e o BE saíram hoje satisfeitos do Parlamento, depois de uma reunião que serviu para ouvir as propostas do partido à alteração do decreto-lei relativo ao Alojamento Local (AL).

Em declarações à agência Lusa, o deputado bloquista Pedro Soares mostrou-se satisfeito com a reunião e disponível para debater este projeto de lei, com mais associações não só de Lisboa, mas também do país inteiro, frisando que “esta questão essencial” não é problema do BE, mas sim da “habitação e capacidade de acesso à habitação por parte dos cidadãos”.

Por seu lado, os representantes da plataforma cívica, Leonor Duarte da Academia Cidadã, António Machado, da Associação de Inquilinos Lisbonenses, e Jorge Moreira, do Movimento Vizinhos do Areeiro, saíram do encontro com alguma positividade, revelando que sentem que o partido está do seu lado.

O deputado clarificou que a estratégia bloquista assenta “em dois pilares”, sendo que o primeiro passa pela “clarificação do conceito de AL”, com vista a “impedir” que este “seja aproveitado pela indústria hoteleira”, e o segundo passa por adjudicar as regras do AL às autarquias.

“Este fenómeno do Alojamento Local extravasou completamente aquele que era o seu conceito inicial, de partilha de habitação, vindo da economia de partilha, e passou a ser uma indústria que está a ser promovida pela própria industria hoteleira e entidades imobiliárias que estão a aproveitar esta flexibilidade e facilidade que há no AL para levarem a cabo empreendimentos turísticos, fugindo completamente ao conceito de AL”, afirmou.

O presidente da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação do BE disse ainda que “é necessário intervir nesta questão”, numa base de “regulamentação e regulação”, devido aos benefícios de “impostos”, “menos exigências de segurança, higiene e serviços prestados”, que estão “protegidos debaixo do chapéu do AL”.

Relativamente ao segundo ponto fulcral da proposta do BE, que passa por “trazer as autarquias para a regulação do AL”, nomeadamente, que estas “possam aprovar regulamentos municipais que definam zonamentos, que estabeleçam quotas para o AL, em função da capacidade de oferta de habitação de cada uma dessas áreas”.

“Isto para impedir que haja processos de gentrificação desses territórios, ou seja de expulsão dos seus habitantes que, por terem rendimentos menores, são expulsos pela pressão exercida pelo turismo e nós estamos a sofrer isso nas nossas cidades em Portugal”, acrescentou.

Na perspetiva do movimento “Morar em Lisboa”, este encontro serviu para “defender os interesses dos habitantes da cidade”, visto que as “preocupações” de ambas as partes “coincidem”, tendo em conta que “são os residentes, que têm que receber os turistas, não são os turistas que têm que aturar os residentes ou suportar os residentes”.

“Fundamentalmente, [a proposta do BE] pareceu-nos bem, estamos de acordo. O que fizemos foi contribuir com alguns aspetos mais precisos e da nossa experiência, aproveitando também para dar informações sobre como está a funcionar a perda de rendimento no AL, nomeadamente em termos de mercado. A nossa sensibilidade é de que as habitações que estão a sair do AL, estão a ir para a especulação e não para o arrendamento”, denunciou Leonor Ribeiro.”

https://www.dn.pt/lusa/interior/morar-em-lisboa-e-be-satisfeitos-depois-de-reuniao-sobre-alojamento-local-8953645.html

[Diário de Notícias] “Quando os cidadãos se unem para mudar os seus bairros”

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“Movimentos de cidadãos crescem na cidade. Muitos são grupos de moradores do mesmo bairro e lutam contra abate de árvores, por jardins ou pela preservação do património

Protestar contra a demolição de um prédio histórico, evitar abate de árvores ou lutar pela construção de um jardim em vez de um parque de estacionamento. São algumas das lutas de lisboetas contra as decisões políticas na cidade. Às vezes têm sorte, outras nem por isso, reconhecem, mas a vida dos movimentos cívicos é mesmo assim, feita de vitórias e de derrotas.

Um dos movimentos cívicos de Lisboa mais antigos e ativos é o Fórum Cidadania Lisboa, embora o seu fundador ressalve que não têm conseguido “lá grande coisa”. “Sem internet esta militância pela cidade não seria possível”, acrescenta Paulo Ferrero, um dos fundadores da página que quer “defender o património e a mobilidade dos lisboetas”.

Apesar de nem todas as causas serem ganhas, o grupo tem “boa experiência no que toca à mobilização das pessoas”. “Temos salvado umas quantas coisas. Temos dado origem a várias ramificações, como o círculo das lojas de carácter e tradição de Lisboa, a plataforma em defesa das árvores, temos abraçado uma série de causas”, resume Paulo Ferrero.

Pelo caminho, que já tem 14 anos, inspiraram outros grupos a lutarem pelas suas causas. E a cidade foi ganhando vozes de cidadãos que se fazem ouvir pelos problemas nos seus quintais e que vão, por isso, conquistando adeptos. “Os movimentos dedicam-se a um tema específico”, explica o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, daí captarem muitas vezes a energia neces- sária para levar a sua posição avante e atraem a atenção dos partidos. “A relação entre partidos e movimentos tem sido sempre complicada. Há uma certa tentativa de os partidos aproveitarem a energia dos movimentos e os movimentos a quererem manter a sua independência”, aponta o sociólogo fundador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES–UC), também ele um participante ativo de vários movimentos cívicos.

O principal problema é a incerteza da eficácia destes grupos. “Depende muito, em alguns casos são bastante eficazes, salvam um cinema, jardins, noutros casos são menos. Depende muito da relação entre os poderes constituídos, entre a democracia representativa e democracia participativa”, analisa Boaventura de Sousa Santos.

Um caso de sucesso foi sem dúvida a luta do Movimento pelo Jardim do Caracol da Penha que se focou unicamente na defesa de um jardim, num espaço que a autarquia tinha destinado a um parque de estacionamento. Mais de 200 pessoas estiveram logo na apresentação do projeto que começou por ser uma ideia de um conjunto de vizinhos de Arroios e da Penha de França. “O objetivo era combater o projeto existente da criação de um parque de estacionamento” e acabaram por levar a proposta de um jardim cujo formato, equipamentos e usos foram decididos pelos cidadãos ao Orçamento Participativo de Lisboa. Resultado: ganharam e foram o projeto mais votado de sempre (9477 votos).

Lançaram a discussão por um jardim e acabaram a discutir “os bairros à volta do terreno do jardim”, sublinha Rita Cruz, uma das mentoras do movimento. “Acredito que há algo que possa vir a surgir, há espaço para que venham a surgir mobilizações futuras. As causas vão surgir com a discussão, com a vida do bairro”, acrescenta.

Rita acredita que o sucesso desta iniciativa ficou a dever-se a “uma pressão social e uma dimensão de discussão que torna inevitável uma tomada de decisão por parte dos representantes”. Neste caso, a câmara teve de recuar num projeto que já estava aprovado.

Menos sorte tiveram algumas das iniciativas levadas a cabo pelos Vizinhos do Areeiro, movimento informal fundado em junho do ano passado. Das vitórias fazem parte a remoção das cabines da PT que estavam desativadas, replantação de árvores ou substituição de colunas de iluminação. Em aberto continuam pedidos como esconder os cabos de comunicações das fachadas dos prédios ou o alargamento das curvas no bairro do Arco do Cego. Uma outra vitória pode ser o facto de já terem “réplicas do mesmo modelo de cidadania local noutras freguesias e bairros vizinhos”, indica Rui Martins, um dos fundadores.

Nesse modelo, os Vizinhos das Avenidas Novas recentemente lançaram a petição para impedir a demolição da vivenda onde funcionava o restaurante La Gondola, na Praça de Espanha. A petição tem neste momento pouco mais de 2100 assinaturas, mas o destino do restaurante parece já estar traçado, uma vez que fez parte de um acordo entre a câmara e o Montepio Geral para a construção da sua nova sede.”

http://www.dn.pt/sociedade/interior/quando-os-cidadaos-se-unem-para-mudar-os-seus-bairros-8738887.html

[Revista Visão] ” No Areeiro, são os vizinhos que oferecem ajuda à PSP”

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“Um grupo de cidadãos propõe-se recolher fundos, através da Internet, para pagar a reparação dos carros avariados da PSP

Cansados de assistirem, sem nada poderem fazer, a um aumento dos furtos em residências, em automóveis e até de bicicletas e respetivos acessórios (guiadores, retrovisores, correntes, rodas), um grupo de moradores do Areeiro, em Lisboa, está disponível para ajudar a PSP a pagar a reparação de veículos avariados que inviabilizam o reforço do patrulhamento na freguesia.

Alertados por conversas informais com os agentes, e também por uma reportagem exibida em julho pela RTP, este grupo de cidadãos, intitulado “Vizinhos do Areeiro”, com presença nas redes sociais, propôs ao comando distrital da PSP realizar uma iniciativa de crowdfunding (recolha de fundos através da Internet) para pagar pequenas reparações nos carros imobilizados por avaria. Segundo a notícia da RTP, nas esquadras das Olaias e de Arroios, que servem a freguesia do Areeiro, estariam em circulação apenas dois dos cerca de 20 automóveis existentes, apesar de alguns desses veículos necessitarem apenas de pequenas reparações, no valor máximo de 100 euros, para voltarem a andar.

Rui Martins, dinamizador dos Vizinhos do Areeiro, referiu à VISÃO que os agentes das duas esquadras do Areeiro deslocam-se muitas vezes ao local das ocorrências “a pé ou de autocarro”, pondo em causa a segurança dos cidadãos e a proteção dos seus bens.

Mas a proposta deste grupo de vizinhos poderá não passar do plano das intenções. A oferta direta de um donativo privado foi de imediato recusada pela PSP, alegando a sua natureza de entidade pública. “Os impostos dos contribuintes deveriam bastar para que as reparações fossem feitas, mas consideramos que esta é uma situação extraordinária e, por isso, fizemos uma contra-proposta à PSP”, adiantou Rui Martins.

Assim, num novo contacto com o comando distrital de Lisboa da PSP, os Vizinhos do Areeiro propuseram entregar as verbas a recolher por crowdfunding a uma oficina local que fizesse as pequenas reparações sem nada cobrar diretamente à PSP. “Estamos a falar apenas das reparações mais pequenas, avaliadas em 75 ou 100 euros”, esclareceu Rui Martins.

Enquanto aguardam pela resposta da PSP, os Vizinhos do Areeiro garantem que a campanha de crowdfunding está já aprovada pela plataforma portuguesa de Internet e pronta para ser lançada na Internet, assim que a PSP dê uma resposta positiva a esta, ou a outra, iniciativa. Na sua página de Internet, o grupo de cidadãos, afirma-se disponível para “colaborar numa solução provisória para o problema de meios operacionais da PSP na Freguesia do Areeiro”.

Os Vizinhos do Areeiro afirmam-se como um movimento cívico informal, não partidário, de cidadãos que residem e trabalham naquela freguesia lisboeta.”

http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2017-08-17-No-Areeiro-sao-os-vizinhos-que-oferecem-ajuda-a-PSP

(O Corvo) “Deve o monumento a Sá Carneiro, no Areeiro, dar lugar a outro “menos feio”?”

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“A questão é recorrente e tem tantos anos quanto a estátua que motiva o debate. Há, contudo, quem não se conforme com o que vê. Desde que foi inaugurado, em julho de 1991, o monumento a Francisco Sá Carneiro (1934-1980), antigo primeiro-ministro português, tem dividido as opiniões dos lisboetas. Não tanto por dissensões ideológicas relacionadas com o legado político do primeiro chefe de governo de direita após o 25 de Abril de 1974 – embora elas também se tenham feito notar na altura -, mas sobretudo pela opção estética tomada na homenagem.

A obra do escultor Domingos Soares Branco (1925-2013), resultado de uma subscrição pública lançada à época pelo jornal de direita O Dia, consiste num busto em bronze do ex-líder do Partido Social-Democrata (PSD), morto num acidente de aviação em Camarate, a 4 de dezembro de 1980, apenso a uma estrutura de betão. Encimando-a, surgem figuras humanas recortadas em metal. Uma representação mal-amada, que os olhos de muitos vêem como “uma cabeça decapitada”, aberta às mais variadas interpretações metafóricas. Tanto que existe quem persista em pedir a sua substituição.

“Aquilo é de muito mau gosto e não creio que seja uma forma digna de homenagear a pessoa em causa, num local que funciona como uma das portas de entrada de Lisboa”, diz a O Corvo Rui Martins, um dos representantes do grupo cívico Vizinhos do Areeiro, entidade que, há bem pouco tempo, avançou com uma proposta de “demolição da estrutura de betão e a substituição do busto de Sá Carneiro por outra estátua, esteticamente mais conseguida, mas mantendo a mesma homenagem”.

A sugestão, que havia sido lançada no final do verão de 2016, foi repescada pelo colectivo, em março passado, ao ser colocada à consideração pública na iniciativa “LisBOA Ideia” do portal municipal Lisboa Participa. Nos dois meses em que esteve sujeita a votação, todavia, acabou por receber pouco mais de três dezenas de votos, bem longe da centena indispensável para que a sugestão fosse tida em consideração pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) – embora sem carácter vinculativo.

Rui Martins nem sequer é militante ou simpatizante do PSD e admite mesmo que a proposta “pode gerar mal-entendidos”. Por isso, sente necessidade de frisar que o que está em causa é a qualidade do espaço público. Apenas isso. “Não estamos contra a pessoa em apreço, mas sim contra a forma como lhe foi prestada homenagem. É uma questão meramente estética. E o que está ali é de um grande mau-gosto, podendo até ser interpretado com uma alusão à decapitação do antigo governante”, explica o cidadão, repetindo uma crítica ouvida desde a inauguração do monumento. Para o responsável pelo movimento Vizinhos do Areeiro, Sá Carneiro e a Praça do Areeiro “mereciam uma outra estátua, mais digna”.

O mesmo pensava, por exemplo, Pedro Santana Lopes, que, enquanto presidente do município, eleito pelo PSD, pediu a Soares Branco que concebesse uma nova estátua – que seria em bronze e teria quatro metros de altura. Apesar de a ter inaugurado, na qualidade de secretário de Estado da Cultura, Santana havia revelado, numa entrevista televisiva, no verão de 2003, que pretendia substituir o busto de Sá Carneiro por uma representação do mesmo de corpo inteiro. Para o efeito, anunciava, deveria ser lançado um concurso de ideias. A novidade, segundo deu conta na altura o jornal PÚBLICO, teria deixado magoado o autor da peça original. Sentimento que manifestou publicamente. A ponto de, alguns meses mais tarde, o presidente da autarquia voltar atrás e decidir endereçar-lhe o tal convite. Isto apesar do artista, mesmo contristado, se ter mostrado disponível para participar no concurso.

O então presidente da câmara dizia, em dezembro de 2003, que o convite ao escultor “era a opção mais natural, adequada e bonita”. Garantindo que ia apresentar o projecto à restante vereação, Santana Lopes avisava, porém, que o mesmo apenas se materializaria se o executivo por si liderado assim o entendesse. E escusava-se a revelar uma estimativa de custos para tal empreendimento. Soares Branco meteu então mãos à obra, mais uma vez. Mas os primeiros resultados terão desagradado tanto a Santana, que não foram precisos mais de três meses para receber sinal para abandonar o projecto. Em abril de 2004, os jornais davam conta de que a CML iria lançar um convite público para que escultores apresentassem ideias para a execução de uma nova estátua de Sá Carneiro.

Poucos meses depois, quando Durão Barroso (PSD) abandonou o cargo de primeiro-ministro para ir liderar a Comissão Europeia, Santana Lopes sairia da presidência do município para o substituir. Seria a última vez que haveriam de surgir notícias sobre a possibilidade de ser construído um novo monumento a Francisco Sá Carneiro para tomar o lugar do existente. Apesar disso, ao longo dos anos, o sítio da CML tem mantido activa uma página com uma ficha descritiva da obra de arte, na qual, e depois de mencionar autoria de Soares Branco, se pode ler que “uma nova estátua em homenagem a Sá Carneiro está a ser executada pelo referido escultor, com o objectivo de substituir o monumento actual”.

O Corvo questionou a câmara sobre esta questão, em novembro do ano passado, sem ter obtido resposta à mesma. Na semana passada, e após ter contactado o responsável do Movimento Vizinhos do Areeiro, voltou a insistir na pergunta feita meses – a saber, se a autarquia mantinha a intenção expressa no seu sítio oficial de construção de um novo monumento. Até à publicação deste artigo, a questão ficou por responder.

Interrogado por O Corvo sobre o tema, o presidente da Junta de Freguesia do Areeiro, Fernando Braancamp Freire (PSD), considerou não fazer sentido voltar a pôr em causa o monumento existente. “Os assuntos nunca estão totalmente encerrados, mas não julgo que existam factos novos que justifiquem uma mudança. Estamos a falar de algo subjectivo do ponto de vista estético. Se me perguntar, em termos pessoais, também não acho que seja uma maravilha de monumento, nem que esteja à altura do papel do estadista. Já vi coisas mais bonitas. Mas se já está feito, está feito”, considera.

Braancamp Freire confessa também não entender muito bem o que “representa” o monumento de José Cutileiro situado no alto do Parque Eduardo VII – uma obra evocativa do 25 de Abril -, mas sublinha que tal não o leva a querer vê-lo substituído. O presidente da junta diz que o debate em torno da estátua de Sá Carneiro “é defendido por algumas pessoas, de vez em quando, como forma de obterem algum destaque mediático”.

Texto: Samuel Alemão”

http://ocorvo.pt/deve-o-monumento-a-sa-carneiro-no-areeiro-ser-substituido-por-outro/

“Portugal em Directo” (Antena 1): Segmento de reportagem sobre o Abate dos Freixos no Areeiro

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Audio em
https://www.facebook.com/RuiMartinsLx/videos/10155451009779050/

Programa “Portugal em Directo” (Antena 1 19.04.2017 14:00):
Sobre os Vizinhos do Areeiro e o abate dos Freixos da Guerra Junqueiro e Praça de Londres

com referências ao Movimento de Comerciantes Av. Guerra Junqueiro, Praça de Londres & Av. de Roma, ao Fórum Cidadania Lx e à Plataforma em Defesa das Árvores (entidades que participaram nesta petição)
e uma referência à petição (que decorre):
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=regulamentoarvoredo