Calçada Artística desaparecida nas obras da Praça Francisco Sá Carneiro

Tendo em conta que:

  1. A Praça Francisco Sá Carneiro, também conhecida como Praça do Areeiro, é uma das mais nobres da Cidade;
  2. a Praça Francisco Sá Carneiro estava rodeada de calçada artística de 1940s e que esta continua a existir nos quarteirões nascente e poente;
  3. o arranjo de superfície feito pelo Metropolitano de Lisboa, em lajes de cimento é árido, visualmente desinteressante e que contribuiu para o aquecimento e impermeabilização do solo;
  4. a zona pedonal da praça é plana e não tem árvores que possam deformar o chão;
  5. uma calçada bem aplicada pode durar anos com pouca manutenção;
  6. se trata de uma valorização artística, histórica e turística da zona.
    Os subscritores apelam a que a CML avalie uma opção mista com calçada acessível nas zonas de passagem das pessoas e artística onde ela existia em 1940.

Subscrevem 256 moradores em
https://www.facebook.com/groups/Vizinhos.do.Areeiro/permalink/2544876472491811/


Resposta da CML de 05.11.2020

“Relativamente à reclamação apresentada por V. Exas., sobre o assunte em epígrafe, cumpre informar o seguinte:

 1. A Praça Dr. Francisco Sá Carneiro tem um carácter de interface rodoviário, o que provoca uma intensa circulação pedonal diária, pelo que, na execução do projeto, foi considerado prioritário o conforto e a segurança dos peões. Efetivamente, esta Praça é muito relevante no tecido urbano da cidade de Lisboa, argumento referido no email, com o qual concordamos totalmente, razão pela qual o projeto contemplou a utilização de um material nobre no pavimento, ou seja, lajes de pedra Azulino de Cascais, não lajes de betão, como é sugerido na reclamação. Este pavimento, apesar de não ser contínuo, promove a circulação pedonal mais confortável pelas grandes dimensões das lajes e o seu acabamento, semi bujardado, diminui os riscos de escorregar.

2. Outro factor que pesou na utilização do Azulino de Cascais, foi o facto de ser uma pedra calcária, natural da zona de Lisboa, resistente e por ser cinzento azulada, proporciona um maior conforto à circulação pedonal, tanto em termos térmicos como de índice de reflexão do que a calçada de vidraço, e sendo uma praça muito exposta e por não ser possível introduzir mais árvores, devido à ocupação do subsolo.

3. Mais se informa que o subsolo da praça está quase todo ocupado por infraestruturas, razão pela qual a base do pavimento tem de ser reforçada, situação que também ocorreria, caso se optasse por calçada, pelo que a infiltração de águas no solo não é possível, a não ser nas áreas de canteiros adjacentes e mesmo assim apenas em alguns pontos.

4. Apesar de pertinente a reclamação em causa e a Calçada Portuguesa ser sem dúvida um fator patrimonial a preservar, foi considerado que nesta Praça, pelas razões anteriormente referidas e por não se localizar no Centro Histórico, se deveria privilegiar a segurança e o conforto da circulação pedonal, adotando-se um material que, não sendo a calçada, pudesse dignificar este espaço de referência da cidade e ao mesmo tempo conjugar um elemento nobre como a pedra com a formalidade conceptual expressa em toda a praça, tanto em termos de edificado como da escultura do Dr. Francisco Sá Carneiro.

Acrescenta-se ainda que este projeto, desde que foi executado em 2004, foi objeto de várias apreciações públicas e aprovado tanto pelo Dr. Santana Lopes como pelo Dr. António Costa, na qualidade de presidentes da Câmara Municipal de Lisboa. “

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *