Apelo dos Vizinhos do Areeiro aos operadores com Lojas Online: Origem dos Produtos

s subscritores acreditam que, em resultado da crise COVID-19, foram adoptadas novas práticas a que a maior parte da população ainda não tinha aderido, nomeadamente a realização de compras de supermercado através da Internet.

No entanto, verificámos que nos sites dos diversos operadores (Continente, Pingo Doce, Auchan, Lidl, etc), não se encontra facilmente a proveniência dos produtos, não sendo claro se são nacionais ou de outros países.

Assim sendo, os subscritores propõem aos operadores com lojas online que:

  1. Adicionem de forma clara e visível a origem dos seus produtos;
  2. Promovam a visibilidade e a venda de produtos de origem nacional, nomeadamente nos frescos (vegetais, carne e peixe), em mercearia, de higiene e limpeza, de vestuário ou produtos para o lar.

Subscrevem:

Rui Martins
Ilda Cruz
Teresa Antunes
Rahyara De Sousa
Eduardo Júlio
Stela Correia
Henrique Ferro
Rui Ferreira Lopes
Rui Bras
Teresa Sotto Mayor Carvalho
Rita Pontes
Alexandra Dias
Maria Teresa Inglês Agostinho
Cristina Azambuja
Zélia Pereira
Duarte Silva Manuel
Zita Rosado Costa
Maria Claro Ribeiro
Teresa Correia
Carmen Padrão
Margarida Rodrigues
Teresa Clara Durão
Catarina Caetano
Jorge Oliveira
Pedro Marques
Eugenia Maria Sobreiro
Maria Martins da Silva
Anabela Matos
Valter Martins
Margarida Agostinho
Ana Costa
Madalena Matambo Natividade
Pedro André
Rodolfo Franco
Lina Nathoo
Marisa Macedo
Nuno Dinis Cortiços
Julieta Martins
Cláudia Casquilho
Sami Capela
Teresa Peixoto
Paula Saragoça
Ana Amaro Fernandes
Rita Luis
Maria Duarte Silva
Anabela Nunes
Danuia Pereira Leite
Belicha Geraldes
Carmosinda Veloso
Vanessa Correia Marques
Susana Carmona
Ruy Redin
Sílvia Regina DiMarzio
Leonor Santa Bárbara
Mariana Bettencourt
António Gonçalves da Silva
Mário Jorge Ramos
Fatima Lammar
Antonio Luis da Bernarda
Antonieta Soares Ribeiro
Rute Pereira
Francisco Lopes da Fonseca
Eunice Sousa Patrício
Rita Dias Costa
Maria João Duarte

COVID-19: Propostas à CML para criar melhores condições para o Comércio no Areeiro

Enquanto moradores queremos ter Comércio Local porque o Comércio Local representa vida, alternativas, emprego e desenvolvimento para a economia local mas algumas das intervenções recentes na Av de Paris, Pç de Londres e Guerra Junqueiro vieram reforçar uma crise que já vinha de trás a explosão de preços no arrendamento urbano veio agravar.

(agora em especial contexto devido à pandemia COVID-19)

Assim sendo propomos:

1

Que a CML inste o Governo no sentido de legislar para que:

1a) o IMI em lojas vazias há mais de 1 ano seja agravado por forma a estimular o seu regresso ao mercado e pelo aumento da oferta pressionar os preços

1b) o IRS de lojas arrendadas a longa duração (mais de 3 anos) seja reduzido

2

A CML subsidiar a 100% as senhas para o parque da Empark com desconto para a 1.ª hora sendo que estas senhas seriam dadas como oferta (por escala de despesa) nas lojas nos arruamentos onde se constroem ciclovias como forma de atrair mais clientes a estas zonas.

3

Assinalar no chão, com pintura horizontal na Av. Guerra Junqueiro, a sinalização do parque da Alameda por forma a que os clientes dos espaços comerciais compreendam a facilidade de acesso ao parque a partir da Guerra Junqueiro.

4

Aumentar os lugares de cargas e descargas e permitir o estacionamento gratuito de muito curta duração (menos de 20 minutos). Ponderar a possibilidade da adição de “estacionamento exclusivo a cliente da Av Guerra Junqueiro”.

5

Anular as taxas pagas por comerciantes à CML e JFA durante um ano após o termo e durante a duração de qualquer obra: medida com efeito retroactivos

6

A CML deve avaliar propor ao Governo e à AR uma medida provisória de tecto máximo por m2 , como recentemente fez Berlim, aplicável ao arrendamento comercial.

7

Nos 15 (!) lugares de estacionamento reservados ao Ministério do Trabalho permitir o estacionamento de muito curta duração para uso pelos clientes das superfícies comerciais: sobretudo ao sábado de manhã e depois das 17 (limitando a reserva entre as 0900 e as 1700)

8

Publicidade no Metro da Alameda e em conjunto com os vários hotéis da zona direcionado para o nosso comércio: O Comércio Tradicional ConVida

Subscrevem:
Jorge Oliveira
Rodolfo Franco
Nuno Dinis Cortiços
Cláudia Casquilho
Elsa Felizardo
Ana Paula Araujo
Ilda Cruz
Patrícia Matos Palma
Madalena Matambo Natividade
Ana Costa
Stela Correia
Cristina Azambuja
Anabela Nunes
Gabriela Lago
Teresa Aroso
Ana Benavente
Maria Teresa Inglês Agostinho
Zélia Pereira
Maria Delfina Vasconcelos
Pedro Gaurim Fernandes
Anabela Gouveia
Maria João Morgado
Luisa Castro Correia
Herculano Rebordao
Cristina Milagre
Fernando Anjos
Ana Sampedro
Teresa Sotto Mayor Carvalho
Duarte Amado
Jacinto Manuel Apostolo
Dulce Amaral
Belicha Geraldes
Francisco Tellechea
Carla Caló
Carolina Veloso Martins
Bruno Beja Fonseca
Raquel Ferreira de Melo
Rui Martins
Ana Marques
Lailai Sales
Guida Costa
Dorota Lomba
Isabel Conceição
Ana Cristina Ribeiro
Augusta Presa
Jean Ricardo
Ana Marques
Maria Jerónimo Costa Zita
Eduardo Júlio
Rosa Maria Troufa Real
Rui Ferreira Lopes
Ana Castro
Carlos Alberto Vieira
Rute Rodrigues
Nitucha Jacques
Cristina Cardoso
Alberta Lopes
Maria Barbara Troni
Carlos Pinheiro
Anibal Santos
Ana Fernandes
Filomena Maria Aleixo
Sara Anjos
Grata Sombreireiro MC
Miguel André
Graciano Venâncio Morais
Alexandra Cardoso
Maria Rita Oliveira
Tomaz Alves Oliveira
Maria Jesus Pereira Gambino
Elsa Borges da Silva
Maria Odete Carmona
Maria Claro Ribeiro
Yolanda Palma
Nazare Miranda
Maria José Bernardo
Fernanda Santos
Sandra João Borges
Nuno Duarte
Ana Alcinda Lomba
Nazare Ferreira
Lidia Monteiro
Catarina Coelho
Luis Pina Amaro
Maria Margarida Silva
Maria Manuela Nobre
Maria Cristina Lacerda
Ricardo Castro
Ana Hipólito Pires
Pedro André
Alexandra André
Bruno Dias de Carvalho
Susana De Brito Dias
Joana Monteiro
Sandra Simas
Alda Salcedas
Isabel Barreto
Maria Luisa Ferreira
Cristina Inacio
Inês Luís
Joana Santos Patrocinio
Celina Gil
Ana Canha
Cristina Salvador
Maria Concepcion
Isabel Bastos
Isabel Tomás
Ana Vicente
Teresa Peixoto
Francine Côrte-Real
Teresa Braamcamp Mancellos
Andreia Cunha Dias
Maria João Serra
Sónia Maia
Maria Duarte Silva
Sofia Correia
Vera Roquette
Alexandra Costa
Maria Pissarra
Sérgio Manuel Cónim
Múri Kraft
Sofia Vale
Leonor Braz Teixeira
Graça Aníbal
Fátima Silva
Paulo Baptista
Fernando Barroso de Moura
Mariana Bettencourt
Manuela Paixão
Mafalda Alegria
Margarida Duarte Vinhas
Nanda Ruaz
Gonçalo Vitorino
Victor Ribeiro
Isabel Real
Necas Diniz
Maria João
Teresa Maria Braga Abecasis
Bruno Paradela De Oliveira
Sofia Pereira
André Quartin Santos
Ana Chau
Ana Filipa Gonçalves
Antonieta Soares Ribeiro
Francisco Lopes da Fonseca
Maria Lourdes Alves Gouveia
Rui Pedro da Ponte
Porfírio Sampaio
Vanessa Correia Marques
Antonio Sequeira
Sofia Silva
Catarina Rebelo
Luana Cunha Ferreira
Ana Sofia Freitas
Manuela Rodrigues
Helder Miranda

Resposta da CML

Exmos. Senhores

Vizinhos do Areeiro

Em resposta ao seu email de 16 de Março de 2020, somos a informar o seguinte.

De acordo com a informação disponível no sítio da Câmara Municipal de Lisboa, mais concretamente em https://www.lisboa.pt/atualidade/noticias/detalhe/pagamento-de-estacionamento-suspenso-e-e-gratuito-para-residentes-em-parques-emel, o pagamento de estacionamento na via pública está suspenso, devendo contudo ser respeitados os lugares reservados a funções específicas, tais como lugares exclusivos a residentes, lugares para operações de cargas e descargas, lugares para portadores de mobilidade reduzida, entre outros.

Assim, as equipas de fiscalização da EMEL e a divisão de trânsito da Polícia Municipal continuarão a assegurar a fiscalização do estacionamento da cidade. Os meios serão reforçados e alocados na manutenção de canais de circulação livres, incluindo veículos que limitem a circulação de outros veículos, em particular de emergência, acessos a propriedades incluindo garagens, ou qualquer infração que ponha em causa a segurança ou a livre circulação de pessoas e veículos, e zonas de estacionamento especial, como sejam locais de carga e descarga, paragens de autocarros, zonas de residentes, ou qualquer local de estacionamento privativo necessário para o normal funcionamento da entidade a que está atribuído.

Estas medidas serão monitorizadas e avaliadas em função da situação da cidade, podendo ser alteradas ou revogadas a qualquer momento, estimando-se, porém, a sua manutenção, em condições normais, até pelo menos dia 9 de abril.

Estas medidas visam reduzir as dificuldades de estacionamento para residentes em especial em zonas de maior pressão, e sobretudo melhorar a condição de quem cumpre situações de quarentena ou isolamento social, como recomendado, e de quem contribui com o seu trabalho para funções essenciais.

Com os melhores cumprimentos.

Gabinete do Vereador Miguel Gaspar

Câmara Municipal de Lisboa

A Petição “Ruído Festivo Recorrente na Alameda Afonso Henriques” foi enviada à Assembleia Municipal de Lisboa


No exercício do “direito de petição à Assembleia Municipal de Lisboa” que garante “às organizações de moradores relativamente a assuntos administrativos do seu interesse” foi enviada pelaAssociação Vizinhos em Lisboa:
(NIF 514697970) ao Presidente da Mesa da Assembleia Municipal, a seguinte petição:

A Alameda Afonso Henriques tem sido usada para realizar, por vezes numa base semanal, eventos que produzem ruído, quer em horário diurno – o que não impede que os moradores se sintam justamente incomodados dentro nas suas próprias casas – quer em horário nocturno. A Alameda tem – não o esqueçamos – paredes meias com vários prédios de habitação nos limites das freguesias de Arroios, Penha de França e Areeiro: não é um “coliseu” em zona isolada, não dispõe de estruturas de insonorização em torno de um palco ou de mitigação de propagação de som à área circundante; é uma zona de habitação.

A repartição da responsabilidade pela autorização destes eventos por 4 autarquias (Junta de Freguesia de Arroios, Junta da Penha de França e a de Areeiro, mais a própria Câmara Municipal) pode estar a contribuir para uma arbitrariedade que resulta na excessiva quantidade de eventos que produzem ruído, a que se junta a possibilidade de isentar estes eventos da emissão das respectivas “Licenças Especiais de Ruído” (LER), quando um evento é patrocinado pela CML ou por alguma das três Juntas de Freguesia. Constatou-se ainda a ausência de qualquer possibilidade de apelo, visto que a Polícia de Segurança Pública e a Polícia Municipal não dispõem de equipamentos de medição de ruído e afirmam não poder intervir no seguimento das reclamações e queixas dos cidadãos.

Assim, é importante começar a dotar a as autoridades de meios humanos e técnicos que permitam fiscalizar a boa aplicação da Lei do Ruído (sensores e pessoal capaz de operar fora das horas normais de serviço) para poderem responder de forma rápida e eficaz aos moradores e ponderar se é exequível haver quatro entidades diferentes a autorizarem eventos ruidosos para um mesmo espaço. Sublinhe-se que todos, no recato do nosso lar, temos direito ao descanso e que o excesso de ruído tem impacto conhecido na saúde dos cidadãos, assim como no seu rendimento escolar e profissional. É preciso que todos os intervenientes e responsáveis pelo licenciamento e autorização destas actividades tenham os legítimos interesses dos moradores da Alameda em consideração e que contenham, regulamentem e fiscalizem estas actividades de índole festiva, cuja frequência tem aumentado substancialmente neste local. Não basta cessar a produção de ruído depois das 24:00, uma vez que é difícil fiscalizar de forma eficiente quando a fiscalização ocorre – como tem acontecido – no dia seguinte e já depois do termo do evento, é preciso fazer mais e ir mais longe na defesa dos interesses dos moradores, que se vêem sistematicamente privados de sossego e da possibilidade de usufruir da sua vida doméstica normal.

Assim, os abaixo-assinados vêm por este meio solicitar o seguinte:
1. Limitar o número de eventos de duração limitada em que é permitido ruído (com som amplificado) a um total de 5 por ano
2. Impor limites de intensidade sonora para esses eventos compatíveis com zona sensível
3. Restrições de duração, limitando a duração do período de ruído a um máximo de uma hora contínua, ou quatro horas interpoladas
4. Condicionar a realização de eventos ruidosos à aplicação de medidas para mitigação do impacto sonoro nas residências próximas, incluindo todos os casos onde não houver emissão de LER
5. Obrigar à presença de elementos da PSP ou da PM durante a duração dos períodos em que é autorizado ruído, munidos de medidores de intensidade sonora e condicionar a autorização para instalação de palcos e som amplificado à existência de limitadores automáticos de intensidade sonora nos equipamentos de emissão sonora
6. Comunicar aos moradores das imediações e publicar em página de Internet centralizada (CML) e em todos os meios das Juntas de Freguesia que rodeiam a Alameda, com antecedência mínima de 15 dias, as LER e todos os eventos ruidosos.”

Assinado
Rui Martins
(na qualidade de presidente da associação)

Consulta aos Vizinhos do Areeiro sobre a intervenção (e ciclovia) na Av de Paris e Rua Edison

Comentários aos votos registados até 15 de Março de 2019:

  1. a opção mais votada (135+13) refere a transferência de circulação automóvel para a João XXI e cruzamento entre e Av de Roma e a João XXI e ligação desta com a Praça Sá Carneiro.
  2. há críticas ao custo total da intervenção na Av de Paris (29 mil euros) assim como ao seu prazo de execução (18 dias): considerados por 54 moradores como excessivos.
  3. 34 moradores entendem que as críticas às duas ciclovias são normais e decorrem de uma alteração de hábitos que irá inevitavelmente ocorrer (note-se que são cerca de 15% destas 3 primeiras respostas): isto pode indicar que a penetração da bicicleta como principal forma de mobilidade urbana no Areeiro é ainda muito fraca (será que esperar que aumente com o aumento de ciclovias).
  4. A largura da faixa na Av de Paris merece a crítica a 26 moradores: ela é patente mas encontra-se dentro dos limites legais. Poderá aumentar o número de colisões mas isso é algo a que apenas o tempo pode responder esperando que CML mantenha um registo deste tipo de ocorrências por forma a poder tomar medidas correctivas (se estas se justificarem)
  5. Todos os comerciantes contactados na Av de Paris e na Rua Cervantes concordam em dizerem que as alterações vão reduzir a atividade comercial: é certo que as ciclovias poderão atrair novo público (não há dados que isso aconteceu em resultado da intervenção na Guerra Junqueiro de 2018)
  6. Na Av de Paris não se perderam lugares de estacionamento, na Cervantes dois: o impacto nas perdas totais de lugares parecem displicientes.
  7. A intervenção na Av de Paris acabou com o estacionamento em segunda fila, o que permite regular melhor o trânsito mas que é apontado por comerciantes como um factor que está a afastar clientes (de qualquer recorde-se que é uma prática irregular e alvo de multa)

Em geral:

  1. Toda a intervenção na Av de Paris e na Rua Edison foi feita com a participação da Junta de Freguesia
  2. Muitos moradores sentem que não houve envolvimento nem procura da sua participação (útil e não meramente formal: embora esta – em boa verdade – também não tenha ocorrido)
  3. Não foram comentadas participações inflamatórias e estéreis como “a dependência dos carros mete dó”: é um exercício de maniqueísmo que não favorece ao diálogo nem à descoberta de soluções e propostas concretas para os problemas da mobilidade urbana em Lisboa.

“No Areeiro, abrem e fecham lojas em poucos meses, mas nas avenidas principais o comércio consolida-se” [O Corvo]

“Alguns comerciantes da freguesia dizem que nunca assistiram a uma volatilidade “tão grande” das lojas. Em poucos meses, abrem e fecham espaços comerciais, por não conseguirem suportar as rendas – que, no último ano, subiram nas zonas históricas e no centro de Lisboa. Os valores pedidos naquele bairro terão aumentado “consideravelmente”, queixam-se vários lojistas. Diversos edifícios foram recentemente vendidos e muitos comerciantes já saíram ou terão de o fazer em breve. Apesar disso, a associação Vizinhos do Areeiro contabilizou menos seis dezenas de lojas vazias em relação a 2018. Uma dinâmica insuficiente, porém, para afastar receios sobre o futuro do comércio na zona, porque os espaços vazios “não geram riqueza económica”. Mas a associação de comerciantes do Areeiro, representativa das avenidas principais, assegura que o panorama até estará a melhorar. A freguesia está a receber mais estrangeiros, que ajudam ao aumento do volume de negócios de alguns estabelecimentos.”

“Maria Custódia Silva, 74 anos, proprietária de uma loja de roupa para crianças, já perdeu a conta de quantas lojas abriram e fecharam, no último ano, na Avenida João XXI, na freguesia do Areeiro. O bairro está em transformação e, segundo quem lá trabalha, assiste-se a uma enorme volatilidade dos espaços comerciais. “No período de três anos, esta já é a quarta loja a instalar-se aqui”, diz Maria, apontando para uma agência de viagens, ao lado do seu estabelecimento. Antes, funcionaram ali uma loja de decoração de interiores e outras duas de vestuário. A lojista não consegue precisar o período de funcionamento de cada espaço comercial, mas garante que foi “muito curto”. E arrisca uma explicação. “Ninguém aguenta as rendas altíssimas desta avenida, que subiram muito, nos últimos três anos. Eu só me mantenho porque tenho outras fontes de rendimento, se não também já teria fechado”, diz.”

“Segundo um estudo recente da consultora JLL, as rendas das lojas de rua, em Lisboa, subiram entre 3,8% e 20%, em 2018. Nas zonas históricas e no centro da cidade, a falta de oferta de imóveis pode pressionar ainda mais os preços e a tendência é as rendas subirem. Paula Santiago, consultora imobiliária da Remax Time, instalada na João XXI, ouvida por O Corvo, corrobora estes números e diz que os valores aumentaram “consideravelmente”. Além destes indicadores referentes ao arrendamento comercial, os dados mais recentes do INE (Instituto Nacional de Estatística) sobre o preço dos imóveis de habitação, no terceiro trimestre de 2018, divulgados há duas semanas, confirmam a manutenção da expressiva dinâmica de valorização imobiliária registada na capital, nos últimos anos. O Areeiro não foi excepção, com a média do metro quadrado vendido a fixar-se nos 2.729 euros, quando no terceiro trimestre de 2017 se havia transaccionado 2.333 euros por metros quadrado. Ainda assim, a freguesia foi uma das cinco em que os preços medianos e as taxas de variação face ao período homólogo foram inferiores aos da cidade de Lisboa (2.877 €/m2). Estes valores, se bem que relativos à habitação, deixam algumas pistas sobre os custos associados a uma loja naquela zona.”

“Recentemente, um concessionário de automóveis e uma papelaria, instalados na João XXI há dezenas de anos, também fecharam por não conseguirem pagar o valor da renda. “A renda do stand subiu de 800 para 1600 euros. A papelaria foi uma situação mais dramática. A dona da loja fez obras de remodelação e, uma semana depois, recebeu uma carta de não renovação do contrato, não foram correctos”, conta. Uma loja de roupa em segunda mão, relata ainda, chegou a estar instalada, no espaço de pouco tempo, em três sítios diferentes – Praça de Londres, João XXI e noutro arruamento no centro do bairro -, mas também já fechou pelos mesmos motivos. “Quem não tem outro suporte financeiro, não aguenta aqui. Muitos comerciantes vêm na ilusão de que esta avenida é uma boa aposta, e depois desiludem-se. Sabemos que vai abrir um espaço novo e que a renda é de 1400 euros. Para suportar este valor, tem de se vender muito por dia. Esperemos que tenham sorte, mas acho que vão fechar”, antecipa Maria Custódia Silva.”

“Nos arruamentos adjacentes às avenidas principais, também se teme pelo futuro. Na Rua Cervantes, que liga as avenidas João XXI e de Madrid, Fernando Gameiro, 57 anos, vende vários tipos de peixe e marisco, no rés-do-chão de um prédio, há quase duas décadas. Mas poderá ter de sair em breve. “O edifício foi todo vendido, em 2014, e fizeram-me um contrato novo de cinco anos, que vai terminar no próximo mês de Maio. Se me propuserem uma renda muito elevada, tenho de fechar. Trabalho com mais desmotivação”, lamenta. Atento à dinâmica do bairro, Fernando Gameiro diz que as transformações são “enormes”. “O comércio do Areeiro está de rastos, desde 2012 tem assistido a uma queda vertiginosa. Quem abre aqui não se aguenta três meses”, lamenta. No período de quatro anos, abriu e fechou uma loja de produtos dietéticos e negócios mais antigos encerraram para darem origem a churrasqueiras, “que ainda vão tendo muita clientela” e restaurantes de tapas e petiscos, explica Fernando.”

“Na Avenida de Paris, o encerramento de vários espaços comerciais, no último ano, como a pastelaria S. João e outros cafés, poderá explicar a pouca movimentação ali sentida. “Um café ou um restaurante atraem sempre mais pessoas, e ajudam aos outros negócios. Chegámos a estar cheios, durante o dia, e, agora, há dias que nem entra ninguém aqui”, diz Vera Ricardo, 38 anos, funcionária de uma loja de produtos de medicina alternativa. O espaço mantém-se, explica, porque ainda recebe muitos clientes de outros bairros, e até de fora de Lisboa. “Há um médico que vem aqui dar consultas, e ainda há muitas pessoas a procurarem-no”, acrescenta.”

“No número quatro desta avenida, André Santos, 37 anos, é o único a dar continuidade a um negócio familiar, provavelmente o mais antigo daquela artéria.  “Sempre existiu uma grande flutuação dos negócios nesta zona, mas nos últimos anos sentiu-se mais. Apesar de a mim não me afectar, porque não vivo do comércio de rua, prejudica muitos dos meus colegas. Muitas pessoas deixam de ir a uma rua quando sabem que fechou lá a loja onde costumavam ir. É péssimo estarem sempre a abrir e a fechar”, diz o dono da La Ferrovie de Paris, uma loja especializada em modelismo ferroviário, a funcionar ali há mais de trinta anos. Já Vildana, costureira, chegou apenas há dois anos, e está feliz com a escolha daquela parte da cidade para trabalhar. “Vou tendo clientes, tenho é mais dificuldade em encontrar quem queira trabalhar comigo”, diz, apressada, enquanto prega botões a uma camisa. “Ninguém quer costurar, hoje em dia, e é pena”, afirma.”

“O bairro residencial, constituído maioritariamente por uma classe média-alta, tem assistido a uma transformação da malha social, nos últimos anos. Apesar da mudança não ser tão gritante como noutras zonas da capital, há mais estrangeiros a escolherem aquela parte da cidade para viverem. Mafalda Maria, 46 anos, confirma esta realidade, todas as semanas, na sua loja de vinhos, na Avenida de Madrid. “Tenho uma cliente americana, de Washington, que compra dezenas de garrafas. Agora está fora, mas tem casa aqui no Areeiro. Tenho imensos clientes italianos, brasileiros e chineses, e são moradores no bairro. Não me posso queixar, o volume de negócios até tem melhorado”, conta. Mafalda Maria reconhece, porém, que não é fácil manter uma loja ali. “O vinho bebe-se sempre, em período de crise ou em festa. Há aqui muitas lojas, cabeleireiros e restaurantes principalmente, que não resistem muito tempo. Além do tipo de negócio, que tem muita concorrência, queixam-se do valor das rendas”, explica.

Na Avenida de Madrid, vários comerciantes corroboram este cenário. Rosário Marques, 48 anos, trabalha há uma dúzia de anos nesta artéria e deita as mãos à cabeça quando se fala no aumento do valor das rendas. “Por este espaço aqui ao lado, minúsculo, estão a pedir 500 euros. A partir daí, é sempre a galopar. Isto é normal?”, questiona, acelerada. A dona da lavandaria e engomadoria, que também presta outros serviços de limpeza, queixa-se ainda da falta de segurança na zona. “Somos uma rua secundária, muitos só vêm aqui de passagem. Há uns dias, assaltaram-me e levaram dinheiro da caixa. A polícia nunca anda aqui e, se houvesse mais movimentação e comércio, talvez não nos tentassem assaltar”, critica.”

“A poucos metros, uma padaria quase centenária, testemunha uma Lisboa mais antiga, quase em extinção. “Já há poucas deste género”, diz Laurinda Fialho, 59 anos, empoleirada na bancada de mármore. “Os salários são baixos, não é fácil subsistirmos, mas ainda temos muitos clientes antigos com os quais mantemos uma boa ligação. Esse é o segredo”, explica. A comerciante ainda paga uma renda acessível, mas já assistiu ao encerramento de várias lojas à sua volta. “Há dois anos, as rendas subiram a pique, os valores são exorbitantes. Perdemos, também, muitos moradores, que voltaram para a terra-natal”, conta. O prolongamento das obras das estações de metro do Areeiro e de Arroios e o encerramento de algumas empresas também poderão ajudar a explicar o esmorecimento do comércio da zona. “Na Morais Soares, esbarrávamos uns nos outros. De um momento para o outro, a rua ficou moribunda”, diz, sobre a actual situação nas obras de Arroios. “O fecho das saídas do metro do Areeiro é vergonhoso, nunca mais abrem”, critica.”

“A associação de moradores Vizinhos do Areeiro tornou público, no passado dia 10 de Fevereiro, um levantamento das lojas vazias da freguesia. Segundo o grupo cívico, “a percentagem de lojas vazias é relativamente pequena”. “Onde estas existem em maior número é nos bairros mais residenciais, como os bairros dos Aviadores, Actores e Olaias. Isto tem a ver com a fraca capacidade de atracção de clientes de fora dos bairros, existente nessas zonas, e com os preços irrealistas do arrendamento cobrado”, lê-se. A análise só peca, explicam, por algo que não está ao alcance do grupo de cidadãos: “a dimensão dos espaços vazios”. “Este dado poderia revelar quais os espaços com maior procura”, escrevem. Um levantamento desta dimensão, assim como o registo do tipo de actividade comercial e os preços médios do arrendamento por freguesia, sugerem, deveria ser feito pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e pela Junta de Freguesia.”

A associação de moradores diz ainda que haverá “uma extrema volatilidade nos negócios comerciais no Areeiro” e lamenta não conseguir detectar “as numerosas lojas que abrem e fecham num espaço de dois ou três meses. “O que revelaria uma volatilidade que, estimamos, ainda seria maior”, avaliam. Em 2018, segundo a análise da associação Vizinhos do Areeiro, haveria 236 lojas vazias no bairro e, em 2019, existirão 170, o que “reflecte aquilo que se observa nas ruas, mas especialmente nas mais comerciais (avenidas João XXI, Roma, Guerra Junqueiro e Praça de Londres)”.

Segundo Rui Martins, da associação dos Vizinhos do Areeiro, este fenómeno “é muito preocupante”. “Encerraram três repartições dos correios, vários balcões de bancos e continua a existir uma grande rotatividade de espaços comerciais, principalmente nas ruas secundárias. As lojas vazias não geram riqueza económica, e perdem-se muitos postos de trabalho”, lamenta. Outro fenómeno que estará a preocupar o colectivo de moradores é o aumento de espaços comerciais do mesmo ramo de negócio. “Florescem imobiliárias como ‘cogumelos’, nunca se viram tantas lojas de cigarros eléctrónicos e há imensas lavandarias self-service”, observa ainda.”

“Em 2016, o movimento cívico propôs à Junta de Freguesia do Areeiro que, à semelhança do que já se passa em Campolide, as compras no bairro fossem feitas através de uma moeda local. Esta poderia ser adquirida na junta, nos bancos, ou obtida de forma gratuita, sob a forma de um prémio por reciclarem o lixo, por exemplo. Algo que, acreditam, poderia ajudar à instalação de mais comércio no Areeiro. Desde 2013, todos os anos, os comerciantes das principais avenidas da freguesia aderem ao Areeiro Open Night, iniciativa da Junta de Freguesia do Areeiro para dinamizar o comércio local. De acordo com os comerciantes ouvidos por O Corvo, este evento é, todavia, insuficiente para as necessidades do bairro. “É apenas pontual, e muitas lojas ficam de fora. Precisamos de uma revolução no comércio e na forma como os senhorios e os arrendatários se relacionam”, sugere a lojista Maria Custódia Silva.”

“O dirigente da associação de comerciantes do Areeiro, Carlos Carvalho, tem, porém, uma perspectiva mais optimista. “Na zona que represento – Praça de Londres e avenidas Guerra Junqueiro, João XXI e Roma – há seis anos, tínhamos vinte lojas vazias. Hoje, temos seis. A procura subiu brutalmente e as lojas fecham porque abrem-se negócios desfasados da realidade. Não concordo que a subida das rendas seja a explicação para a rotatividade”, considera. O interesse dos lojistas por uma zona que esteve, durante algum tempo, “decrépita”, explica ainda, aumentou muito nos últimos anos e há vários “casos de sucesso”. “O panorama comercial está a melhorar. Na Avenida de Roma, há quatro lojas com história, com um grande dinamismo. Muitas vezes, as pessoas abrem lojas e não percebem que manter um negócio exige comunicação com o cliente, e que nenhuma loja nasce consolidada”, explica.

Carlos Carvalho, que é proprietário de uma mercearia no Areeiro, salienta que o aumento das rendas é “um problema de toda a cidade” e que muitos lojistas, que não conseguem pagar o valor das rendas, reposicionam-se noutras ruas da freguesia. Segundo o comerciante, a rotatividade das lojas “sempre foi um problema” da daquela área da cidade, principalmente na João XXI, porque as pessoas alteraram os seus trajectos e rotinas, nos últimos anos, e deixaram de passar nesta artéria.”

https://ocorvo.pt/no-areeiro-abrem-e-fecham-lojas-em-poucos-meses-mas-nas-avenidas-principais-o-comercio-consolida-se/

Conclusões possíveis do Levantamento de Lojas Vazias de 2019 (actualizado)

(a vermelho as lojas vazias de 2018, a azul as de 2019)

1. Os levantamentos de 2018 e de 2019 incorporam uma certa margem de erro (trata-se de um levantamento voluntário) mas estes números, que globalmente estarão correctos, parecem indicar uma grande flutuação da actividade comercial na freguesia, uma extrema volatilidade nos negócios comerciais no Areeiro e isto apesar de, pela metodologia seguida, não conseguirem detectar as numerosas que abrem em fecham num espaço de 2 ou 3 meses (o que revelaria uma volatilidade que, estimamos, ainda seria maior)

2. Os números de 2018 (236) e agora os de 2019 (170) reflectem aquilo que se observa nas ruas mas especialmente nas mais comerciais (João XXI, Roma e Guerra Junqueiro/Praça de Londres): a percentagem de lojas vazias é relativamente pequena. Onde estas existem em maior número é nos bairros mais residenciais, como o Bairro dos Aviadores, Actores e Olaias. Isto tem a ver com a fraca capacidade de atracção de clientes de fora dos Bairros existente nessas zonas e com os preços irrealistas do arrendamento cobrado nessas zonas.

3. Em 2016 propusemos à Junta de Freguesia que, como faz a de Campolide, lançasse uma Moeda Local: https://vizinhosdoareeiro.wordpress.com/2016/09/19/proposta-uma-moeda-local-para-o-areeiro/ um projecto deste tipo poderia ter um impacto significativo no regresso de muitas destas lojas à actividade comercial, gerando emprego e diversidade económica no Areeiro.

4. O facto de existirem menos lojas vazias é um efeito da melhoria da condição económica da maioria dos lisboetas e do reforço dos padrões de consumos desde 2017.

5. no site https://www.idealista.pt/arrendar-lojas_ou_armazens/lisboa/areeiro/ apenas constam 71 lojas ou armazéns por arrendar (no Areeiro a maioria dos “armazéns” são lojas ou garagens convertidas). Isto significa que a maioria das lojas vazias não estão no mercado fazendo aumentar o preço das que estão por redução da oferta e explicando a inflação de preços que se regista actualmente (motivada, também, pelo fenómeno lateral do Turismo e do aumento explosivo e contagioso a todos os sectores dos preços da habitação).

6. Algumas destas lojas são conversões de antigas garagens mas continuam reservando estacionamento (que usam de forma possivelmente abusiva) conforme levantamento: http://vizinhosdoareeiro.org/falsas-garagens-e-estacionamento-no-areeiro/

7. Uma percentagem significativa de lojas continua a ser usada como sede de empresa e não como um estabelecimento comercial clássico

8. O levantamento dos Vizinhos do Areeiro peca por algo que não está ao nosso alcance: a dimensão dos espaços vazios. Este dado poderia revelar quais os espaços com maior procura. Aliás, um levantamento desta escala deveria ser feito pela CML ou pela Junta de Freguesia, ser regular (trimestral), registar o tipo de actividade comercial e os preços médios do arrendamento por freguesia: Fica a sugestão aos nossos autarcas.

9. A procura tende para lojas de reduzida dimensão/renda: situação mais favorável em Campo de Ourique. No Areeiro existem demasiados espaços de dimensão/renda média e grande/elevada para arriscar um qualquer negócio.

10. Vamos actualizar esta contagem, provavelmente, com mais métricas, em 2020.

Levantamento de Abril de 2018:
http://vizinhosdoareeiro.org/lojas-sem-uso-abandonadas-devolutas-ou-a-venda-ou-por-arrendar-no-areeiro/