“Lixo espalhado nas ruas de Lisboa incomoda moradores” [JN]

O lixo começou a acumular-se nas ruas da capital desde que a Câmara Municipal de Lisboa (CML), há uma semana, reduziu os horários de recolha de resíduos indiferenciados e suspendeu temporariamente a recolha seletiva porta-a-porta devido à pandemia Covid-19.

“Os caixotes estão cheios e as pessoas acabam por pôr os sacos fora dos contentores. Temos visto luvas e lixo espalhado pelo chão”, denuncia Alexandra Nunes, moradora em Marvila.

Há uma semana, a Câmara de Lisboa passou a recolher o lixo três vezes por semana para “garantir a proteção da saúde pública e dos trabalhadores” e controlar a expansão do Covid-19, avança no site da CML. A decisão tem sido, porém, muito contestada pelos moradores e classificada de “irresponsável e perigosa”. “Enquanto outros municípios reforçaram as equipas de limpeza, a Câmara de Lisboa dá um passo atrás. Como é que uma cidade Capital Verde tem estas ações anti-ecológicas e anti-higiénicas?”, critica Alexandra Nunes.

“Metem tudo no mesmo”

As críticas e denúncias multiplicam-se nas redes sociais e provêm de quase todas as freguesias da capital. A aglomeração de sacos de lixo dispersos pela via pública e a suspensão da recolha seletiva são as principais críticas. José Pereira, morador no Lumiar, queixa-se de as embalagens não serem recolhidas há duas semanas. “Reciclagem é para fazer ou esquecer?”, questiona indignado.

Alexandra Nunes alerta para o mesmo problema. “Agora, as pessoas metem todo o tipo de resíduos no mesmo contentor, já a abarrotar com o lixo comum. Suspeito que esteja a ser tudo encaminhado para aterro, porque, depois de misturado, o cartão fica contaminado, e já não se pode reciclar”, repara.

Isabell Culen, moradora em São Domingos de Benfica, confirma-o. “Vi os contentores do papel e dos orgânicos serem despejados no mesmo camião. Agora vai tudo misturado, isto é um retrocesso. Eu ainda separo, mas muitos vão deixar de separar o lixo”, lamenta.

Recolha seletiva mantém-se nas eco-ilhas

A recolha seletiva ainda é feita em ecopontos de superfície subterrâneos, onde o volume de lixo também tem aumentado consideravelmente. Esta semana, na eco-ilha em frente à Assembleia Municipal de Lisboa, por exemplo, acumularam-se muitos sacos.

“Tenho recebido várias queixas relacionadas com as recolhas nas eco-ilhas não estarem a ser realizadas e estar, por isso, a acumular-se algum lixo, principalmente agora que não há recolha seletiva porta-a-porta”, diz Rodolfo Franco, dinamizador do movimento cívico Vizinhos do Areeiro.

Medidas continuam “enquanto pandemia durar”

A Câmara de Lisboa, em resposta escrita ao JN, diz que não haverá reciclagem porta-a-porta “enquanto durar a pandemia”. “Atravessamos a maior crise de saúde pública em 100 anos e a prioridade da CML é proteger a saúde pública dos lisboetas e dos trabalhadores da higiene urbana”, frisa. A CML não clarificou, porém, se tem ou não enviado os resíduos orgânicos e seletivos para aterro. “O material nos ecopontos continua a ser reciclado”, disse apenas.

https://www.jn.pt/local/noticias/lisboa/lisboa/lixo-espalhado-nas-ruas-de-lisboa-incomoda-moradores-11997728.html?fbclid=IwAR3jVB5C2RJQSYICzNPuYFDpZn0i4Jvpnnl4M0ToHAoly0X0cqHJIC90u4Q

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