Lojas sem Uso no Areeiro


em 2018 contámos 292 lojas vazias
em 2019 contámos 241
em 2020 contámos 182

Desde 2018, quando começámos a contar anualmente as lojas vazias na área da Freguesia do Areeiro, até 2020, contámos sucessivamente 292, 241 e 182. Esta evolução aparenta ser positiva mas não inclui todos os fechos de lojas que terão ocorrido depois de dezembro de 2020 e onde já registámos vários encerramentos resultantes do impacto da COVID no pequeno comércio.

Na verdade (e actualizaremos este levantamento no fim do actual período de confinamento: talvez em fins de Março ou começos de Abril) já se registam alguns encerramentos de lojas associados ao impacto do confinamento e à incapacidade (ou falta de vontade) por parte de alguns senhorios em baixarem as rendas comerciais e assim, darem o seu contributo para a sobrevivência de muitos negócios locais nesta e noutras freguesias de Lisboa.

Alguns comentários mais genéricos:

1. Os levantamentos dos Vizinhos do Areeiro incorporam uma certa margem de erro (trata-se de um levantamento voluntário) mas estes números, que globalmente estarão correctos, parecem indicar uma grande flutuação da actividade comercial na freguesia, uma extrema volatilidade nos negócios comerciais no Areeiro e isto apesar de, pela metodologia seguida, não conseguirem detectar as numerosas que abrem e fecham num espaço de 2 ou 3 meses (o que revelaria uma volatilidade que, estimamos, ainda seria maior).

2. Os números reflectem aquilo que se observa nas ruas mas, especialmente nas mais comerciais (Av. João XXI, Av. de Roma e Av. Guerra Junqueiro/Praça de Londres), a proporção de lojas vazias é relativamente pequena. Onde estas existem em maior número é nos bairros mais residenciais, como o Bairro dos Aviadores, Actores e Olaias. Isto terá a ver com a fraca capacidade de atracção de clientes de fora dos Bairros existente nessas zonas e com os preços irrealistas do arrendamento cobrado nessas zonas.

3. Em 2016 propusemos à Junta de Freguesia que, como faz a de Campolide, lançasse uma Moeda Local: https://vizinhosdoareeiro.wordpress.com/2016/09/19/proposta-uma-moeda-local-para-o-areeiro/ um projecto deste tipo poderia ter um impacto significativo no regresso de muitas destas lojas à actividade comercial, gerando emprego e diversidade económica no Areeiro;

4. O facto de existirem menos lojas vazias será um efeito da melhoria da condição económica da maioria dos lisboetas e do reforço dos padrões de consumo desde 2017. Esta tendência, contudo, parece em nítida inversão desde agosto de 2020;

5. No site https://www.idealista.pt/arrendar-lojas_ou_armazens/lisboa/areeiro/ apenas constam 36 lojas ou armazéns por arrendar (no Areeiro a maioria dos “armazéns” são lojas ou garagens convertidas) (eram 71 em fevereiro de 2019). Isto significa que a maioria das lojas vazias não estão no mercado fazendo aumentar o preço das que estão por redução da oferta e explicando a inflação de preços que se regista actualmente (motivada, também, pelo fenómeno lateral do Turismo e do aumento explosivo e contagioso a todos os sectores dos preços da habitação);

6. Algumas destas lojas são conversões de antigas garagens mas continuam reservando estacionamento (que usam de forma possivelmente abusiva) conforme levantamento: http://vizinhosdoareeiro.org/falsas-garagens-e-estacionamento-no-areeiro/

7. Uma percentagem significativa de lojas continua a ser usada como sede de empresa e não como um estabelecimento comercial clássico. Eventualmente, esta utilização de garagens para fins comerciais em vez de estacionamento automóvel, contribuirá marginalmente para a sobrecarga de estacionamento na via pública;

8. O levantamento dos Vizinhos do Areeiro peca por algo que não está ao nosso alcance: a dimensão dos espaços vazios. Este dado poderia revelar quais os espaços com maior procura. Aliás, um levantamento desta escala deveria ser feito pela CML ou pela Junta de Freguesia, ser regular (trimestral), registar o tipo de actividade comercial e os preços médios do arrendamento por freguesia: Fica a sugestão aos nossos autarcas.

Recordamos ainda as nossas propostas enviadas à CML e Junta de Freguesia (que ficaram sem resposta):

Que a CML inste o Governo no sentido de legislar para que:
1a) o IMI em lojas vazias há mais de 1 ano seja agravado por forma a estimular o seu regresso ao mercado e pelo aumento da oferta pressionar os preços;
1b) o IRS de lojas arrendadas a longa duração (mais de 3 anos) seja reduzido.

2
A CML subsidia a 100% as senhas para  estacionar nos parques e silos da EMEL e EMPARK descontados, por exemplo, em facturas ou senhas no comércio local, tal como fazem os grandes centros comerciais a partir de compras de determinado valor. Desta forma permite retirar automóveis da via pública, quer por opção urbanística quer como por efeito directo da instalação de ciclovias, sem retirar o acesso ao comércio local e transporte de compras.

3
Reforçar a sinalética de acesso aos parques da Alameda e Praça de Londres que servem o comércio do eixo Avenida Guerra Junqueiro e Praça de Londres de forma a fazer compreender a vantagem da simplicidade da utilização destes equipamentos..

4
Aumentar os lugares de cargas e descargas e permitir o estacionamento gratuito de muito curta duração (menos de 20 minutos). Ponderar a possibilidade da adição de “estacionamento exclusivo a cliente da Av Guerra Junqueiro”.

5
Anular as taxas pagas por comerciantes à CML e JFA durante um ano após o termo e durante a duração de qualquer obra: medida com efeito retroactivos.

6
A CML deve avaliar propor ao Governo e à AR uma medida provisória de tecto máximo por m2 , como recentemente fez Berlim, aplicável ao arrendamento comercial.

7
Nos 15 (!) lugares de estacionamento reservados ao Ministério do Trabalho permitir o estacionamento de muito curta duração para uso pelos clientes das superfícies comerciais: sobretudo ao sábado de manhã e depois das 17 (limitando a reserva entre as 09h00 e as 17h00); verificar a possibilidade de transferir alguns destes 15 lugares para o parque da Pr. de Londres, à distância de 2 min a pé, tal como os moradores, trabalhadores, comerciantes e clientes da zona são obrigados a fazer.8
Publicidade no Metro da Alameda e em conjunto com os vários hotéis da zona direcionado para o nosso comércio: O Comércio Tradicional ConVida (neste caso a Junta fez uma iniciativa que passou pela afixação de algumas faixas em postes de iluminação pública).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *